A PRECARIZAÇÃO DO TRABALHO CHEGA NA UNIVERSIDADE

Funcionários de prestadoras de serviços contam os empecilhos de trabalhar no setor; Na UFU a rotatividade e a baixa capacitação lideram a lista de reclamações

Por Luiz Gustavo Ribeiro

A servidora da UFU, Daniela, que trabalha há 23 anos na universidade, tem acompanhado com indignação a situação dos funcionários terceirizados. “Você vê na cara [a diferença entre] um terceirizado e um servidor estatutário. O concursado tem incentivo, ele é capacitado. Já o trabalhador terceirizado, que pode estar aqui há anos, nunca teve acesso nem a capacitação”, relata ao descrever a falta de garantias nesta modalidade de trabalho.

Diante a precarização do trabalho terceirizado, a socióloga Mariana Cortês aponta que a fragmentação e a desmobilização dessa classe agravou a situação de fragilidade dos funcionários desse setor: “Isso leva a questões subjetivas de identidade. É diferente você se ver como um funcionário público, que possui um reconhecimento, e como um trabalhador terceirizado, sem garantia de emprego e uma invisibilidade social muito mais marcante”.

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 80% do salário de trabalhadores de baixa renda é gasto com alimentação. A perda do vale refeição, no valor de R$264,84, preocupa Fernanda*, que para recebê-lo precisa obedecer alguns critérios. “Nós temos quatro horas de atestado por mês. Se passar disso, ficamos sem o dinheiro”, conta a funcionária que desde 2017 trabalha no setor de limpeza da UFU. Além de questionar o baixo valor do complemento salarial, Fernanda* contesta a pouca flexibilidade em relação a assiduidade. “Estou pensando em mudar de área no ano que vem, ouvi falar que em um hospital particular o vale é quase o dobro”, conta.

Porém, mudar de área não é uma opção fácil para os trabalhadores terceirizados. A exigência da formação básica, a rotatividade do mercado e a urgência do emprego, somados à falta de informação e de conhecimento acerca dos direitos trabalhistas aumentam a insatisfação e  reflete na ausência de seguridade jurídica aos terceirizados: “Eu sinto que nossos direitos não são completamente cumpridos”, finaliza Fernanda.

DSC_0088
A advogada Elenice Pires discute a relação entre empresas e funcionários terceirizados e aponta soluções para conflitos.  Foto: Loise Monteiro

De acordo com a advogada Elenice Pires, a empresa que contrata o serviço terceirizado, não tem gerência sobre a relação patrão e empregado, portanto, não interfere sobre os critérios de repasse do vale alimentação ou da cesta básica. “Se o funcionário não estiver recebendo conforme acordado na contratação, ele deve procurar seu sindicato e verificar o que não está sendo cumprido, com base na Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) vigente”, alerta Pires.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Crie um website ou blog gratuito no WordPress.com.

Acima ↑

%d blogueiros gostam disto: