Realidades brasileiras pelo olhar da câmera

Filmes etnográficos propõem novos olhares às questões contemporâneas; fórum de Antropologia e Cinema se estende para além da universidade

Por Beatriz Ortiz

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Os filmes etnográficos buscam o registro do olhar sobre o outro em consonância com a Antropologia Visual | Foto: Aurélio Barcelos

Quem nunca sonhou em produzir um filme? A emoção de escrever roteiros, registrar histórias e produzir cenas pode parecer uma realidade distante, mas não é impossível. Imagine agora produzir um filme que registre outras realidades e outras formas de conceber realidades. Nada disso é remoto: vêm ganhando espaço, no Brasil, o cinema documental e os filmes etnográficos.

Um exemplo é a produção “Meu Corpo É Político”. Nascido com o apoio do Fundo Setorial de Audiovisual (FSA), o documentário de autoria coletiva acompanha o cotidiano de quatro militantes LGBT, moradores da periferia de São Paulo. A ideia de levantar questões contemporâneas da luta política dos transsexuais nasceu há três anos e foi concretizada pela produtora Alice Riff em 2017.

“Existe uma produção no Brasil que tem desejo de pensar cinema, linguagem e o próprio país em narrativas que fujam do tradicional; que queiram experimentar outros cinemas”, ressalta Riff, que atribui grande importância aos recursos públicos e aos novos olhares à realidade brasileira. “Hoje, nós lutamos para manter linhas de financiamento que nos permitam continuar produzindo filmes. É importante que os filmes saiam do foco puramente comercial e do eixo Rio-São Paulo”, complementa.

Os novos olhares propostos pela cineasta convergem a um exercício de alteridade que a professora do Instituto de Ciências Sociais da Universidade Federal de Uberlândia (INCIS – UFU), Valéria Martins, muito admira. Há três anos, ela organiza o evento forumdoc.mg em Uberlândia. O forumdoc.mg é um fórum de Antropologia e Cinema que, todos os anos, sai de Belo Horizonte e caminha por várias cidades mineiras, exibindo filmes selecionados. Em 2018, a produção “Meu Corpo É Político” fez parte da programação do fórum.

Para a professora, os documentários contribuem para a aproximação das alteridades. “Nós precisamos conhecer outros mundos além dos nossos, senão atuamos de forma preconceituosa e limitada. A Antropologia contribui para que as pessoas conheçam outras formas de vida. Ela multiplica os mundos”, aponta.

Forumdoc.mg

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O forumdoc.mg é realizado pela Associação Filmes de Quintal, em Belo Horizonte, desde 1996 | Foto: Aurélio Miguel

Em 2018, o forumdoc.mg aconteceu entre os dias 13 e 16 de setembro, com exibições gratuitas nos campi Santa Mônica e Monte Carmelo da UFU, na Casa Graça do Axé e no Museu Universitário de Arte (MUnA). Para a organizadora do evento e integrante do Programa de Educação Tutorial (PET), INCIS – UFU, Thaís Ferreira, é ótimo que o evento tenha se estendido para além da universidade. “São filmes com temáticas incríveis, com discussões muito ricas… Não podem e nem devem ficar reclusos apenas à UFU”, defende.

Enquanto isso, os estudantes se deleitam. O estudante de Jornalismo da UFU, Guilherme Amaral, se impressionou com o fórum. “Consumir esse tipo de material é uma experiência e tanto”, comenta. “Conhecer um novo tipo de produção, sem ser um filme da Disney ou um documentário do Discovery, algo que tem um apelo cultural e social maior, é admirável”, conclui. Arte à parte, muito se deve às políticas públicas de cultura. O Brasil é vasto – basta filmar e se encantar.

Quero produzir um filme

Só em 2017, o Brasil alcançou o recorde de lançamentos de filmes nacionais, fechando o ano com 158 títulos. Neste ano, por sua vez, o MinC e a Ancine anunciaram um investimento de R$ 471 milhões no setor audiovisual.

Àquele que ousa aventurar-se pela cinematografia, basta manter-se atento aos editais do Ministério da Cultura (MinC), da Agência Nacional de Cinema (Ancine) e de outros órgãos federais voltados à promoção do audiovisual.

Para saber mais sobre a área de Antropologia do Instituto de Ciências Sociais da Universidade Federal de Uberlândia, acesse www.facebook.com/antropologiauberlandia/.

 

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