A melodia da vida de Edmar Ferretti

Soprano, professora de canto e piano, às formações acadêmicas são finitas e suas histórias também

Por: Roberto Vicente

Edmar Ferretti me esperava em sua sala. Assim que entrei, ela se levantou. De estatura média, pele branca, cabelos grisalhos misturados com  fios castanhos claros, óculos estilo Ray-Ban anos 80, expressão feliz, voz rouca e doce, ela veio me cumprimentar com um belo sorriso no rosto.

A mulher descrita tem 81 anos e atualmente é Docente Regente do Coral da Universidade Federal de Uberlândia (UFU). A sua história com a música começou em Nova Europa, uma cidade no interior de São Paulo, com apenas cinco anos de idade. Durante a sua infância, morou em uma casa de esquina, cor de rosa e com um quintal enorme. O seu local favorito era a parte da frente, numa escada onde ela cantava para os bois.

A sua relação com a música começou muito cedo. Os primeiros passos não foram na área da voz: seus pais, que sempre a apoiaram, colocaram-na para estudar piano e, como forma de incentivo e entusiasmo, presentearam-na com esse instrumento.

Em seguida, sua família se mudou para São Paulo, próximo ao museu do Ipiranga. Seus estudos agora eram com o professor Osvaldo Vicenzo, no Conservatório Heitor Villa Lobos. “Eu comecei a fazer uns consertos, uns recitais, fui aumentando o repertório e a voz foi crescendo cada vez mais”, se recorda Ferretti.

Enquanto contava sua história, Ferretti fez um pausa e, por um momento, percebi que seus olhos brilhavam. Era como se, por alguns instantes, ela se visse novamente no conservatório. Nos anos seguintes, veio o primeiro concurso público na área de canto, apresentações em SP e até um convite do compositor Camargo Guarniere para lecionar em Goiânia.

O contato com a sala de aula a fez descobrir uma nova paixão, algo que ainda não havia sentido. Dar aulas em Goiás foi o primeiro passo. Em seguida, Ferretti veio para Uberlândia compor o recém inaugurado Conservatório Musical de Uberlândia que, mais tarde, se integraria à UFU, se tornando a Faculdade de Artes.

A sua atuação dentro da Federal de Uberlândia, desde 1981, sempre foi ativa. O contato com os alunos, a música e a melodia são sentimentos que Ferretti não consegue descrever, pois a partir do seu ingresso ela muito acrescentou na formação de seus alunos.

Atualmente Edmar Ferretti, está trabalhando na administração da Divisão Coral-DIVIC-DICULT-UFU. Foto: Roberto Vicente

“Eu desenvolvi de 1981 a 2017 um série de atividades artísticas e pedagógicas e consegui disseminar essas montagens em cidades como Uberaba, Rio de Janeiro, São Paulo e Goiânia. Isso não tem preço”, explicita a professora

E desde então ela se encontra no departamento de Artes. A nossa conversa estava chegando ao fim. Perguntei como era a relação dela com jovens  e porque, todas as vezes em que ela se lembrava dos seus alunos, os olhos se enchiam de lágrimas. A resposta foi firme e direta: “Eu amo pessoas. Não consigo viver sem elas, sem meus alunos. Eles fazem parte de mim e da minha história”.

 

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