PET Conexões de Saberes reafirma ações de inclusão social

Grupos voltados para políticas públicas buscam cada vez mais espaço na Universidade

Eduarda Yamaguchi

O Programa de Educação Tutorial (PET) Conexões de Saberes foi  destaque no IV Encontro de PETs UFU, realizado em outubro de 2018 no campus Santa Mônica, o que marca uma abertura ao âmbito social do Programa. Todavia, esse modelo de projeto representa apenas 10% do total de 30 grupos PET na universidade e ainda enfrenta batalhas de visibilidade no meio acadêmico.

Criado em 1979, em um cenário de regime militar vigente, o PET significava Programa Especial de Treinamento e tinha como objetivo preparar alunos de graduação considerados de alto nível de rendimento acadêmico, para ingressarem em programas de Pós-Graduação. Instaurou-se uma visão elitizada e seletiva, já que apenas alguns discentes poderiam participar.

Após uma reformulação, em 2004, o PET passou a ser chamado de Programa de Educação Tutorial. Com o novo formato, o projeto busca ampliar os olhares dos estudantes e fomentar sua aprendizagem, desenvolvendo experiências baseadas em aspectos interdisciplinares de ensino, pesquisa e extensão.

O presidente do Comitê Local de Acompanhamento e Avaliação (CLAA) dos grupos PET da UFU, Jesiel Cunha, acredita que essa transformação do Programa foi conduzida através das necessidades do ensino superior. “O PET distanciou-se da filosofia inicial, que visava apenas um grupo, porque, na época, formar o corpo docente das universidades era uma prioridade para o país”. Cunha ainda afirma que, atualmente, o Programa propõe suas atividades voltadas ao campo social. “Agora, o projeto tem como princípio proporcionar aos alunos uma formação ampla e em perspectivas mais humanas, que visem a ética e a cidadania”.

Apesar disso, ainda existe a falta de hábito na procura de maneira mais ampla pelo Programa. O estudante de Ciências da Computação e membro do PET Computação Higor Emanuel Souza ainda percebe comentários receosos. “Os alunos parecem ter medo de conversar com os membros do projeto. Ainda existe essa visão de que apenas a ‘elite nerd’ faz parte do grupo, o que acaba desaproximando as atividades do PET do curso. Essa dificuldade na comunicação é que gera o tabu”, conta.

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O evento “INTERação com PET” traz um diálogo entre os PETs da universidade e a comunidade externa, e são promovidas oficinas e minicursos para o público local. Foto: Ana Luiza Vargas

Além da inserção em pesquisas de projetos de Iniciação Científica e da produção de artigos para Congressos, a ideia é que o grupo estabeleça conexões com a comunidade em geral. “Acho que o PET é o espaço que se tem na Universidade para poder fazer a diferença. Também tentamos fazer um papel social, que é levar o que produzimos aqui para fora”, explica Souza, que também é coordenador do grupo InterPet da UFU, que representa os petianos no CLAA.

O Programa “Conexões de Saberes: diálogos entre a universidade e as comunidades populares”, criado em 2006, foi uma maneira de garantir a permanência qualificada dos melhores alunos de um recorte socioeconômico. Entretanto, esse projeto, que era existente na UFU entre 2009 e 2012, passou a ser incorporado pelo PET como uma forma de proteger o projeto dos cortes de verbas.

A fundadora do PET Conexões de Saberes Educomunicação, Adriana Omena, conta que o grupo Conexões, anterior a inserção no PET, contava com mais de 60 bolsistas e 20 professores orientadores e se desdobrou em três PETs Conexões na UFU. Atualmente, a UFU conta com o “PET Conexões: Saúde, Cultura e Saberes” e o “PET (Re)Conectando Saberes, Fazeres e Práticas: rumo à cidadania consciente”, no campus Pontal, em Ituiutaba (MG), e o “PET Conexões de Saberes Educomunicação”, no campus Santa Mônica, em Uberlândia (MG).

Como um dos exemplos de destaque, o PET Educomunicação desenvolve diversas atividades abertas ao público. Entretanto, o diálogo com a universidade ainda encontra algumas barreiras. A atual tutora do grupo, Diva Silva, explica que o apelo social do PET Conexões de Saberes enfrenta falta de divulgação e representatividade. “Já foram levantadas questões de petianos do nosso grupo serem pouco ouvidos no InterPet, mas percebemos que precisamos nos fazer presente nos espaços para que as pessoas nos respeitem”, enfatiza.

O programa “Checagem na Escola – Combate às Fake News” foi uma forma de alcançar visibilidade dentre as produções da instituição.  “Este ano, no IV Encontro de PETs UFU, um dos nossos trabalhos apresentados foi escolhido entre os melhores da Universidade. Isso nunca tinha acontecido antes e deu voz ao nosso grupo”, conta Silva sobre o projeto que realiza oficinas de leitura crítica da mídia para alunos de educação básica.

Os PETs possuem suas sedes dentro dos campi da universidade e esses locais devem ser usados pelos integrantes como um local de discussão e apoio as suas pesquisas. Foto: Ana Luiza Vargas

O presidente da CLAA defende a continuidade dos PETs Conexões de Saberes na universidade, devido a preocupação com as ações afirmativas e a necessidade de inclusão cada vez maior. Porém, Cunha aponta que a discussão a respeito da questão social relacionada ao ingresso no Programa ainda deve aguardar. “O MEC, desde 2012, não abre editais para criação de nenhum PET, e a UFU também está parada, esse sentido, há cinco anos. Esperamos que a universidade abra essa possibilidade no ano que vem para, ao menos, debatermos sobre o assunto”, conclui.

Conquistar espaço na universidade é uma das ações que visam transformar também toda a sociedade. Os alunos que passam pelo projeto, de acordo com a fundadora do PET Educomunicação, transformam-se em profissionais capacitados e atuantes na comunidade em que vivem. “Mais de trinta dos petianos que passaram pelo projeto enquanto fui tutora estão envolvidos no serviço público, fazem mestrado, doutorado ou trabalham nas suas áreas com excelência”, destaca a fundadora do grupo.

A atual tutora ainda destaca o diferencial do grupo de ser um dos únicos PETs Interdisciplinares no Triângulo Mineiro. “A nossa luta é para que se mantenha esse modelo, porque a universidade precisa dessa visão para além dela mesma, que cumpra a sua responsabilidade social”, exalta Silva.

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