A Paralimpíada UFU

Mais de 160 alunos com deficiência não são contemplados por competições esportivas.

Por Aurélio Barcelos

Nos últimos anos, principalmente após os Jogos Paralímpicos de Pequim, o paradesporto ganhou força em Uberlândia (MG). Em 2012, a estudante de Gestão da Informação da UFU, Daniele Martins, competiu pela bocha em Londres, terminando em décimo quinto lugar. Na Paralimpíada seguinte, o município conseguiu levar sete atletas para o Rio de Janeiro, conquistando quatro medalhas: duas de prata e duas de bronze. Porém a UFU vive uma realidade diferente da cidade.

A universidade busca a melhoria da qualidade de vida das pessoas com deficiência, seja ela estudante ou não.  Esse é o caso do projeto desenvolvido pela Faculdade de Educação Física (Faefi/UFU), através do Programa de Atividade Física para Pessoas com Deficiência (PAPD), que há mais de 30 anos trabalha com a inserção de pessoas com deficiência no esporte. A iniciativa consegue ser uma ponte entre o desporto e o esporte de alto rendimento, revelando atletas paralímpicos para a cidade. Entretanto, quando o assunto é competição para o esporte assistivo, a UFU ainda não consegue promover campeonatos que atendem a esse público.

Segundo o coordenador da Divisão de Esporte e Lazer Universitário (Diesu), Adilson Henrique de Souza, a universidade não apresenta um número considerável de paratletas para promover um campeonato exclusivo da categoria. O diretor acredita que o maior problema é a falta de demanda porém  também ressalta uma falta de diálogo entre a divisão e os paratletas.

Essa também é a opinião da medalhista de bronze no Parapan de Toronto, em 2015, Daniele Martins,  estudante de Gestão da Informação. A paratleta acredita que a responsabilidade de trazer o paradesporto para campeonatos internos é de todos. “Não adianta cruzar os braços e reclamar da Diesu. Tudo começa com um movimento estudantil. A partir do movimento conseguimos mexer nas estruturas que conseguem dar o apoio necessário para nós.” afirma a atleta da bocha.

A paratleta recém-formada no curso de Educação Física da UFU, Bruna Campos, que disputou a Olimpíada contra atletas convencionais, ressalta a falta de suporte da universidade. Enquanto cursava a faculdade, ela conta que se sentiu desmotivada e decidiu deixar o esporte para se dedicar a vida acadêmica, decisão que lamenta até hoje. “Eu sinto muita falta disso (modalidade paralímpica na Olimpíada UFU). Se em 2013, quando entrei na universidade houvesse a oportunidade de realmente competir na Olimpíada, eu nunca teria parado de treinar.”

Consultada pela equipe de reportagem, a Diesu não descarta a possibilidade da promoção de uma Paralimpíada UFU ou de uma inserção de modalidades paralímpicas nas Olimpíadas da Universidade. Porém, a Divisão ressalta que depende de mudanças na atual organização do evento e de uma maior mobilização dos paratletas e das atléticas.

 

 

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