Pesquisa analisa contaminação de tartarugas

Laboratório de Ensino em Animais Silvestres (Lapas) do Hospital Veterinário mostra eficácia com estudo da influência de agrotóxicos em répteis

Por: Vitória Bertolucci

A partir da espécie Podocnemis unifilis, o Projeto analisa a interferência dos agrotóxicos no desenvolvimento embrionário de répteis. Foto: Vitória Bertolucci

Órgão suplementar da UFU desde 1976, o Hospital Veterinário (HV) atualmente atende cerca de 2 mil animais silvestres recolhidos e recebidos por ano. O HV dispõe do Laboratório de Ensino em Animais Silvestres (Lapas), que desenvolve o Projeto de Ecotoxicologia em Répteis. Voltado para a análise de prejuízos causados por agrotóxicos no meio ambiente, o setor tem como objeto de estudo ovos de tartarugas da espécie Podocnemis unifilis – conhecidas como Tartarugas Tracajá.

Para o Coordenador do Lapas, André Quagliatto, o investimento feito pelo Governo Federal nesse campo foi o que propiciou a construção de um ambulatório para triagens e atendimentos clínicos iniciais. O espaço realiza todos os tipos de cirurgias, incluindo ortopédicas, corretivas, de pele e extração de tumores. “É um centro de atendimento hospitalar que está bem equipado, com um corpo de veterinários especialistas em clínica de animais silvestres”, descreve.

Em execução há oito anos, o Projeto de Ecotoxicologia é responsável pela análise das influências geradas por substâncias no meio ambiente. Inicialmente, a pesquisa tinha como proposta o teste da utilização de produtos químicos, como agrotóxicos, no desenvolvimento de embriões de répteis. Com financiamento da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) foi possível dar início à apuração, a partir do recolhimento de ovos de tartaruga no contorno do Rio Araguaia (TO).

“Durante cinco anos, coletamos os ovos e fizemos a incubação artificial no laboratório, inserindo-os no substrato – areia em que ficam incubados – com agrotóxico. Assim, o ambiente imitava o ninho natural das tartarugas”, explica Quagliatto. Segundo ele, o projeto forneceu inúmeros produtos acadêmicos para a universidade. Além disso, traz até os dias atuais dados relevantes à comunidade científica acerca da interferência dos agrotóxicos no desenvolvimento embrionário de répteis e, futuramente, de aves, em razão de suas semelhanças filogenéticas.

Para o ex-diretor do HV, Amado da Silva Nunes Júnior, houve uma mudança na maneira de encarar a saúde pública e animal. “Com a participação efetiva da academia, o Lapas pôde desenvolver pesquisas que visam melhoramentos de espécies em seus habitats naturais, a partir do estudo dos efeitos de substâncias, naturais e artificiais, em organismos vivos de animais que constituem nossa biosfera”, explica.

Formado na Universidade Federal do Pampa (RS) e cursando pós-graduação em Ciências Veterinárias na UFU, o estudante William Vitto de Souza analisa que é essencial que haja o estudo da importância da fauna silvestre no meio ambiente. Ele ainda conclui que essa abordagem deveria ser fomentada em escolas de periferias. “Infelizmente cerca de 95% dos alunos [dessas escolas] não conhecem a UFU. As pessoas da cidade, muitas vezes, não sabem da existência da instituição e, se sabem, não possuem o conhecimento de que esta é pública e que podem ter acesso”, relata Vitto.

Hoje o HV oferece à comunidade o atendimento e acolhimento dos animais, assim como possibilita novos conhecimentos aos técnicos dos campi. Além disso, propicia o aprimoramento através de aulas práticas aos alunos de cursos de biológicas,  igualmente aos estagiários que vêm de outras cidades e países.

O Hospital Veterinário

Hospital Universitário
Em funcionamento desde 1976, o Hospital Veterinário (HV) atualmente atende cerca de 10 mil animais recolhidos e recebidos por ano, dentre estes animais silvestres, domésticos e de produção. Foto: Vitória Bertolucci

O aluno da primeira turma de Medicina Veterinária da UFU e ex-diretor do HV por 22 anos, Marco Antônio Ribeiro de Faria, descreve que as conquistas ao longo das décadas não vieram facilmente. “Houve um sofrimento para que a escola veterinária fosse criada e nós temos muitas vantagens que nunca foram citadas”, relata o também ex-professor do curso.

A atual Coordenadora do Hospital Veterinário, Vânia Amaral da Rocha, completa o posicionamento de Faria. “Nós tivemos a experiência inédita do hemocentro com o primeiro banco de sangue veterinário do Brasil, como também o setor de Oncologia veterinária padronizado nos parâmetros nacionais”, informa.

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