Exposição celebra memórias de João Quituba

A Uberlândia do século XX é relembrada por meio das fotografias do comerciante

Por Sara Camelo

 

Balconista, colecionador e amante da fotografia. João Quituba tinha estilo. “Ele amava aquela gravata borboleta”, diz o curador Velso Carlos, ao lembrar do amigo. Mas o que Sr. João amava mesmo, era a sua querida Uberlândia. O amor era tanto que deixou o legado de mais de 2,5 mil fotografias da cidade, produzidas entre as décadas de 1920 e 1980, que estão presentes até dezembro na exposição “Lentes Lentes da Memória”, no Centro de Documentação e Pesquisa em História (CDHIS) da UFU.

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A mostra fotográfica “Pelas Lentes da Memória”A mostra fotográfica “Pelas Lentes da Memória” fica em cartaz até 31 de dezembro fica em cartaz até 31 de dezembro.

A fascinação no rosto de quem aprecia a exposição é evidente. É o caso da professora aposentada Edisonina Cavalcanti, que reconheceu um velho amigo de seu pai entre as fotos de Quituba, e ainda se emocionou ao ver a avenida onde morou quando criança. Para ela, lembrar do passado é importante para o reconhecimento do presente. “Hoje em dia as nossas emoções, os momentos que vivemos, as pessoas que cruzam nosso caminho são esquecidas facilmente”, reflete Cavalcanti, que conta ter muitas fotos por gostar de segurar as lembranças na mão.

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A exposição exibe imagens de Uberlândia entre a década de 1920 a 1980.

História semelhante é a de Velso Carlos. Em 1987, largou a carreira de economista para se dedicar ao emprego no CDHIS, onde teve a chance de conhecer Quituba e se apaixonou pelo seu trabalho. Lá, ele passa seus dias desfrutando das histórias de Uberlândia, e lembra a primeira vez que chegou na cidade. “A antiga rodoviária tinha charretes, as ruas eram estreitas e as casas sem garagem”, recorda.

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As fotografias fazem parte do acervo de João Quituba doado para o Centro Histórico de Documentação da UFU.

Se para as pessoas de mais vivência deparar-se com fotografias antigas pode trazer o sentimento de nostalgia, para os alunos da rede pública que visitam o museu na atualidade, o olhar é de entusiasmo. A guia da exposição Aline Guerra explica que as associações feitas pelas crianças por meio das imagens fazem com que elas conheçam, de modo didático, a cultura e os costumes de uma época passada.

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As fotografias mostram lugares famosos em Uberlândia, que sofreram modificações ao longo das décadas.

“Quem ia imaginar, na década de 40, que hoje Uberlândia teria seis terminais?”, questiona a graduanda em História Maria Gabriela Olivério ao perceber a mudança do espaço da cidade mineira. Para ela, o mundo todo está inerente a sofrer modificações.  Entretanto, a visita ao passado é importante para projetar um futuro melhor. Olivério destaca a valorização dos espaços culturais. “Se as pessoas visitassem exposições, como a de Quituba, poderiam ter outro olhar para os lugares históricos da cidade”.

Ainda para a estudante, a memória é diferente para cada pessoa. Ela varia de acordo com as experiências individuais. Para Quituba, poderiam ser as tardes em que passou fotografando Uberlândia. O cheiro da casa em que morou quando criança seria a de Cavalcanti. Para Carlos, a primeira vez que caminhou pela praça Clarimundo em 1964. E para Olivério, no mundo contemporâneo, a memória é uma forma de reconhecimento e ressignificação do presente por meio das fotografias do passado.

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A exposição é aberta ao público e são realizadas visitas guiadas para escolas.

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