ALTERNATIVAS DE INTERCÂMBIO NA UFU APÓS CORTES DE VERBAS NA ACADEMIA

Apesar da extinção do Ciência sem Fronteiras, a UFU conta com outras oportunidades de intercâmbio

Por Heitor Gomes

O intercâmbio estudantil é uma das oportunidades mais enriquecedoras que a UFU disponibiliza aos discentes que buscam experiências de crescimento acadêmico, pessoal e profissional em outras instituições. Contudo, com os cortes de verbas no ensino e o fim de programas de bolsas e auxílios, os estudantes passaram a buscar novas alternativas.

De acordo com a Diretoria de Relações Internacionais e Interinstitucionais (DRII), cerca de 100 alunos por ano se inscrevem nos programas de mobilidade nacional e internacional disponibilizados ao público.

A cada semestre, a DRII divulga diversos editais de intercâmbio. Um dos principais atrativos para os alunos que têm menor condição socioeconômica são as bolsas, embora reduzidas pelo corte de verbas e pela crise no país. É o caso do Ciência sem Fronteiras, que até sua extinção em 2015 era o mais cobiçado.

De acordo com a secretária executiva da DRII, Daline Mendonça, a média de alunos enviados para intercâmbios caiu pela metade, o que também afetou os convênios com países como Estados Unidos, Canadá e Inglaterra. “Com o fim do Ciência sem Fronteiras, as portas para determinadas universidades se fecharam”, lamenta. Apesar disso, Mendonça atesta que a diretoria continua captando novos recursos e programas para a internacionalização do ensino na instituição.

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Segundo Daline Mendonça, a mobilidade nacional é uma boa alternativa aos alunos interessados no intercâmbio estudantil. Foto: Rodolffo Garcia.

O fim do programa impactou ainda os estudantes que já haviam começado ou até concluído o período de estudos fora do país. Mendonça explica que houve atrasos na entrega das bolsas do governo que prejudicaram os beneficiados. Por sorte, não foi o caso de Igor Carcanholo, que cursa Engenharia e foi para os Estados Unidos pelo edital de 2014. “Eu recebia a bolsa a cada três meses, uma ainda no Brasil e todas as demais já nos Estados Unidos. As de lá atrasaram, mas a daqui caiu na data certa”, conta, destacando um atraso que aconteceu na universidade de destino, mas que não o afetou aqui.

Todavia, o Ciência sem Fronteiras não é a única oportunidade de intercâmbio disponível. De acordo com a também secretária executiva na DRII, Lúmia Pires, a UFU conta com outros tipos de mobilidades, com ou sem bolsa, que se encaixam em três grupos principais: as incoming, quando os alunos vêm de outras universidades, as outgoing, quando eles vão para outras instituições, e os acordos bilaterais, nos quais a UFU envia e recebe discentes.

Hoje, o mais almejado pelos discentes é o programa Santander Universidades, que disponibiliza três bolsas de estudos para a UFU em países como Argentina, Espanha e Portugal. A mestranda em Relações Internacionais, Caroline Ribeiro, foi uma das contempladas. Ela passou seis meses na Espanha, entre 2015 e 2016, buscando aprimorar o currículo e assimilar o idioma e a cultura locais. “Eu me preparei desde o início do curso”, conta sobre a experiência.

A UFU também recebe alunos estrangeiros para a graduação completa com auxílio pelo Programa Estudantes-Convênio de Graduação (PEC-G), acordo internacional estabelecido entre Brasil e países da África. Nuno Benrós, de Cabo Verde, começou a estudar Engenharia Aeronáutica em 2017 e relata que tem tido uma experiência agradável no país, tanto dentro quanto fora da universidade. “Eu me senti acolhido, já que não tive que ultrapassar uma barreira cultural tão grande. O Brasil e o Cabo Verde não são tão diferentes”, comemora ao falar da adaptação.

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Para Nuno, estudar no Brasil traz mais vantagens do que estudar no Cabo Verde pelas várias oportunidades. Foto: Rodolffo Garcia.

Existem também oportunidades mais específicas dentro e fora da UFU, como auxílios da Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis (PROAE) e a Association Internationale des Étudiants en Sciences Economiques et Commerciales (AIESEC), que é voltada para a formação de jovens líderes em intercâmbios pela América Latina e não exige vínculo direto com a universidade.

Uma alternativa nacional

Além disso, os estudantes da UFU têm acesso a uma oportunidade que não é tão procurada: a mobilidade nacional. Segundo Mendonça, “o intercâmbio internacional sempre é mais chamativo que o nacional pelo idioma, pela cultura e por outros motivos. Ainda assim, temos que conhecer o nosso país antes de viajar para outros”, reflete.

Em 2016, a estudante de Relações Internacionais, Taynara Dia passou um semestre letivo na Universidade de Brasília (UnB), onde pôde ter contato com pessoas, ambientes e oportunidades novas. Ela escolheu a UnB porque o curso de Relações Internacionais é um dos melhores da América Latina. “Conheci vários profissionais e tive matérias muito interessantes, como Proteção Internacional dos Direitos Humanos”, descreve sobre a sua experiência de mobilidade.

Dias contou com o auxílio de um convênio que a UFU tem com a Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (ANDIFES), também financiado pelo Santander. Ela relata que, durante o período que passou em Brasília, teve somente um problema de atraso no recebimento – motivado por greve de servidores. De forma geral, a aluna acredita que o intercâmbio foi um período positivo na sua vida acadêmica.

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