UFU OFERTA BOLSA CRECHE PARA PAIS UNIVERSITÁRIOS

Estudantes de graduação com  filhos menores de seis anos e baixa renda podem receber bolsa auxílio

Por Caroline Soares

Uma pesquisa realizada no ano de 2015 pela UFU levanta que, entre os alunos matriculados, 944 possuem filhos menores de seis anos. Destes, 46 levam os filhos para a universidade. Percebendo o alto número de evasão e retenção dos cursos, foi criada a Bolsa Creche Universidade, que busca atender os discentes matriculados na graduação da UFU e pertencentes às classes “C”, “D” ou “E”.

Segundo o edital, disponível no site da Pró Reitoria de Assistência Estudantil (Proae), a finalidade é reduzir as taxas de evasão e retenção, promovendo a inclusão social no ambiente de ensino. No último edital, publicado no primeiro semestre de 2018, foram disponibilizadas 40 vagas de bolsa, sendo 20 para os campi de Uberlândia, 10 para o campus Pontal, cinco para Patos de Minas e cinco para Monte Carmelo. Além disso, a estrutura do campus Umuarama conta com uma creche gratuita, para que os beneficiados possam deixar seus filhos.

A discente do curso de Engenharia de Produção do campus Pontal, Bruna Barbosa, relata que foi um pouco difícil conseguir o auxílio. “Esperei o edital fechar, porque tinha uma renda alta. Mas entrei com recurso para conseguir”. Cuidar de sua filha e conciliar os estudos não foi algo fácil para a estudante que também conta com o complemento do auxílio dos pais. “A bolsa creche me ajuda a manter as despesas com minha filha, entretanto não cobre meu valor de gastos mensais, que gira em torno de R$ 600″.

Contudo, alguns estudantes também ressaltam a dificuldade de conseguir o auxílio. É o caso da aluna do curso de Teatro do campus Santa Mônica, Dandhara Morena. Ela explica que descobriu que estava grávida no primeiro dia de aula e logo foi atrás do benefício, pois na época encontrava-se desempregada e sem condições de manter a criança. Mesmo com os documentos em mãos, não conseguiu. Atualmente, com a filha de cinco meses, ela tenta conciliar a faculdade com a vida pessoal. “Tenho que levar minha filha nas aulas comigo. Sempre que possível ela fica com meu parceiro para que eu possa estudar, mas isso ainda é raro. Como consequência, já reprovei em um período. Só consigo cumprir três matérias por semestre”,conta Morena.

Para a acadêmica da área de Gênero e Políticas Públicas para mulheres na Universidade Federal de Uberlândia, Ana Carolina Santana,  há uma falta de pesquisa para saber o que essas mães necessitam. “É óbvio que o auxílio precisa de melhorias. Elas só poderão ser feitas se a gente coordenar esse tipo de pesquisa e analisar quais pontos devem ser melhorados. Como é que a gente vai saber o que essa mãe precisa, se não ouvir dela?” Santana acrescenta que esse valor está longe de suprir as necessidades de uma mãe.

Entretanto, para conseguir o auxílio, além de seguir os encaminhamentos do site da Proae, é necessário que o discente apresente os documentos comprovando o Coeficiente de Rendimento do Aluno (CRA), além de possuir renda familiar inferior a dois salários mínimos. A bolsa oferece R$ 200 e também assistência psicológica gratuita. Até o fechamento desta reportagem não houve pronunciamento da Pró-Reitoria de Assistência Estudantil.

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As mães universitárias enfrentam barreiras diárias, tanto pelo espaço físico despreparado para receber uma criança na universidade, quanto pelas exigências e cobranças sociais. A busca pelo equilíbrio entre os estudos e a maternidade é um obstáculo a ser enfrentado. Fotos: Loise Monteiro e Sara Camelo.

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