INSTITUTO DE ARTES INTEGRA UFU E COMUNIDADE

Mais de 500 pessoas estão inscritas nas oficinas gratuitas de extensão na Universidade Federal de Uberlândia; 40% não são discentes

Por Cássio Lima

A fala e a percepção vêm do corpo. A sonoridade e a interação social surgem do instrumento que integra mente e sonoridade em um ambiente de troca compartilhada. Essa é a principal proposta das Oficinas de Artes, oferecidas aos universitários e à comunidade externa, pelo Instituto de Artes da UFU. Na tentativa de consolidar os vínculos extra campi, as iniciativas têm procurado outros espaços além do acadêmico, como circuitos em escolas públicas, associações e espaços culturais.

 

As Oficinas de Dança e de Teatro

 

Descobrir os limites e as possibilidades do próprio corpo são metas do Yoga _ FOTO_ Vanessa Gianotti
Descobrir os limites e as possibilidades do próprio corpo são metas do Yoga | FOTO: Vanessa Gianotti

A agente comunitária, de saúde Jennefer Caroline de Souza, se inscreveu no Projeto Comunidade UFU deste ano (COMUFU) e uma vez por semana vem à Universidade para participar de uma oficina de Teatro só com mulheres. Um dos objetivos é aprimorar a capacidade de se expressar. “Estar aqui melhora o meu estilo de vida, me ajuda a descobrir o desconhecido e aumenta a minha coragem de viver”, complementa Souza.

Uma das responsáveis pela aplicação da Oficina, a discente Sara Stéfanni pesquisa o empoderamento feminino pela expressão corporal em um espaço de criação artística. A troca de experiência em um ambiente sem a presença do masculino propicia uma dinâmica sensorial de enfrentamento do machismo no cotidiano”, explica Stéfanni, sobre o objetivo de dar vozes às mulheres.

Com a proposta de ampliar a percepção pelas práticas corporais, outra atividade que promove a integração da comunidade com a universidade é o Curso de Dança da UFU, que disponibiliza uma Oficina de Yoga três vezes por semana, aberta ao público externo. “Práticas somáticas entre corpo e mente contribuem para que uma pessoa se sinta melhor, inclusive na absorção da própria arte, uma vez que é estimulado o lado sensorial pela prática do Yoga”, explica uma das idealizadoras da Oficina,  Luciana Arslan.

A dona de casa Simone Cruvinil Fraga, de 50 anos, viu no Yoga a possibilidade de se livrar das dores lombares, por ficar muito tempo sentada e trabalhando em casa. Convidada a conhecer a prática por uma amiga da Universidade, ela frequenta há um mês a atividade. “A gente faz muito alongamento e tem um controle melhor sobre a mente. Eu me sinto mais calma e relaxada, por isso pretendo continuar”, conta.

Além destas atividades, os cursos de Teatro e Dança oferecem outras possibilidades aos oficineiros. O “teatro político” na Associação de Teatro de Uberlândia (ATU) e a oficina no espaço cultural Graça do Axé, voltada para comunidade negra, também realizam projetos com crianças e adolescentes. Outra opção ocorre no Curso de Dança com a Oficina de Balé que acontece nas quintas feiras, às 19h00, no Bloco 3M do campus Santa Mônica.

 

Escolas públicas fazem parcerias com o Curso de Música

A extensão da Universidade com a comunidade também está presente em outros projetos. As escolas públicas E. M. Professora Gláucia Santos Monteiro, no bairro Carajás, e a E. E. Frei Egídio Parisi, no Bairro Segismundo de Uberlândia, também firmaram parcerias com o Curso de Música. As unidades localizadas na Zona Sul de Uberlândia facilitam a logística dos projetos. Na escola municipal ocorre uma Oficina de Fanfarra, com a participação de alunos da Licenciatura. “Eu já tenho experiência com sala de aula, mas sem uma didática consolidada. Aqui estou conseguindo unir as duas coisas. Percebo o meu crescimento como professor de Música e estou impressionado com a disponibilidade dos alunos”, relata Juraci Alves Silva Neto, que está no 9º Período do Curso de Música.

A professora Cíntia Thais Morato, que compõe o corpo docente da Licenciatura em Música, ressalta a importância do aluno ter vínculo com a escola, para que as parcerias sejam consolidadas. “A possibilidade de tocar e cantar e futuramente se apresentar na condição de artistas consolida e muito a parceria, desde que o discente conheça a cultura musical dos estudantes”, finaliza Morato.

Já na escola estadual Frei Egídio Parisi ocorre o Projeto Canto Coletivo.  Todas as quartas feiras à tarde, o projeto de Extensão com coordenação da professora universitária Viviane Aparecida Lopes  defende o contato permanente entre os docentes da Licenciatura e o ambiente sala de aula. “Para que haja uma formação eficiente, é  preciso conhecer a escola em movimento. O ensino nunca é estático”, defende Lopes, ao ressaltar que as parcerias precisam evoluir para a extensão e pesquisa, não devem ficar restritas às horas aulas obrigatórias dos estágios de Licenciatura.

A docente Viviane Aparecida Lopes aposta nos projetos de extensão para melhorar a eficácia dos estágios de Licenciatura _ FOTO_ Vanessa Gianotti
A docente Viviane Aparecida Lopes aposta nos projetos de extensão para melhorar a eficácia dos estágios de Licenciatura | FOTO: Vanessa Gianotti

De acordo com o diretor da escola Frei Egídio Parisi, Washington Luciano de Medeiros, o relacionamento do docente com o estabelecimento de ensino é fundamental para que as iniciativas não caiam no vazio e deixem de existir. “Estou há 18 anos na direção desta escola e vivenciei muitas parceiras. O maior desafio é manter a gestão eficaz dos projetos”, argumenta Medeiros. Ele defende a necessidade do docente UFU gerir as iniciativas de dentro do ambiente escolar para manter os alunos motivados.

 

As novas exigências do Ministério da Educação para a formação em Licenciatura

A formação em Licenciatura passou a atender novas exigências do Ministério da Educação. Entre elas a participação dos discentes em projetos de extensão, uma prática pedagógica de 400 horas. Segundo a Resolução SEI Nº 32/2017, do Conselho Universitário da UFU, a formação em Licenciatura deve ser “inclusiva, além de promover a emancipação dos indivíduos e grupos sociais, atenta ao reconhecimento e à valorização da diversidade e, portanto, contrária a toda forma de discriminação”.

Na tentativa de consolidar as parcerias entre UFU e comunidade externa, alguns coordenadores de Licenciatura do Instituto de Artes pretendem em um primeiro momento desenvolver a extensão entre docentes e organizações interessadas nos projetos; depois fariam o ingresso das atividades de estágio dos discentes. “A intenção é impedir que ações sejam interrompidas, mesmo que a participação dos universitários seja semestral”, complementa o diretor do Instituto de Artes, César Traldi.

Mais de 400 pessoas são esperadas na apresentação final do “Canto Coletivo” na E. E. Frei Egídio Parisi _ FOTO_ Vanessa Gianotti
Mais de 400 pessoas são esperadas na apresentação final do “Canto Coletivo” na E. E. Frei Egídio Parisi | FOTO: Vanessa Gianotti

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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