Projeto Zero Um une voluntariado e aprendizado

Graduandos dos cursos de engenharia da UFU ensinam programação a estudantes de escola pública

Por Clarice Bernardes

Foto 2 Projeto Zero Um
Estudantes da Escola Municipal Professor Sérgio de Oliveira Marquez aprendem programação por meio de trabalho voluntário. Foto: acervo da escola.

Oito graduandos dos cursos de Engenharia de Controle e Automação, Engenharia Biomédica e Engenharia de Computação da UFU realizam trabalho voluntário na Escola Municipal Professor Sérgio de Oliveira Marquez. O projeto consiste no ensino de programação a estudantes do nono ano da escola pública por meio de um software livre, desenvolvido para auxiliar no ensino de programação para crianças.

O projeto teve origem por meio de um dos membros, Felipe Vieira. No início do ano, o estudante de Engenharia de Controle e Automação foi para o Egito trabalhar em uma startup de desenvolvimento de produtos para impressoras 3D, por meio de uma ONG que atua no setor de liderança de jovens. Nesse projeto social que durou três meses, Felipe deu aulas de programação para alunos do Ensino Fundamental.

Com a experiência e a oportunidade de trabalhar em causas sociais, o graduando retornou a Uberlândia no início do semestre letivo com o intuito de colocar essa ação em prática no Brasil. Essa ideia foi implantada no Projeto Zero Um. “O objetivo do projeto não é ensinar programação, é mostrar para as crianças que elas têm oportunidade e que podem se interessar por uma área dessas. É mostrar para elas que têm capacidade e oportunidade e nós fazemos isso por meio da programação”, relata Felipe Vieira, idealizador do Projeto Zero Um.

Para a execução do trabalho em Uberlândia, os graduandos usam o programa livre e gratuito chamado Scratch, que é uma plataforma de ensino de programação para crianças de forma fácil por meio da programação em blocos. Para adultos, o trabalho ocorre por meio da escrita de códigos, mas, para as crianças, a utilização dessa plataforma engloba entretenimento e o ensino de maneira lúdica.

No programa Scratch as crianças desenvolvem os jogos que elas têm vontade. A maioria dos alunos que participa do projeto está no nono ano do Ensino Médio, mas três alunos vêm de séries anteriores, por decisão da escola que recebe o projeto. Dessa forma, para a implantação do Zero Um, as escolas realizam uma seleção dos alunos que estão aptos para participar.

Para Janaína Aparecida de Oliveira, professora de Matemática do nono ano da Escola Municipal Professor Sérgio de Oliveira Marquez, os alunos se interessaram em participar e por isso foi necessário ter critérios para a seleção, já que a escola não dispõem de estrutura técnica para atender todos os alunos interessados. “Os graduandos da UFU realizam o projeto de maneira voluntária e trabalhar programação com as crianças da escola é algo que os incentiva a querer estar nela, já que eles vêm na sexta-feira à tarde, horário que não tem aula na grade curricular para participar do projeto. Assim, se eles estão na escola é porque gostam do projeto e querem estar nele”, revela Oliveira.

O projeto Zero Um tem duração de três meses, conforme a grade horária escolar dos estudantes e dos universitários. Com o fim do projeto nessa escola, os graduandos selecionarão novas escolas públicas na cidade. Para a realização deste trabalho é necessário um acordo entre a escola selecionada, a prefeitura e os graduandos da UFU para que todos sejam contemplados e o ensino seja realizado.

Os graduandos dos cursos de Engenharia, como Felipe, não tinham contato com o lado didático do seu curso, e ministrar aulas para crianças e adolescentes tornou-se uma experiência nova. “Trabalhar com criança é muito gratificante, elas são muito sinceras. Chega ao final da aula e elas dizem que gostaram muito, teve até um aluno lá do Egito de quando eu lecionava que me disse que fui um bom professor, isso é muito gratificante”, relembra Vieira.

Além da experiência de ministrar aulas, alguns estudantes de Engenharia já participaram de projetos com viés social. Ygor Seiji participa do Zero Um, mas anteriormente participou de um projeto social que ensinava robótica para estudantes e, segundo ele, um dia você aprende, para no outro, estar ensinando alguém. “Têm pessoas que fazem projetos sociais e querem algo em troca. Para mim, o gosto de ver quem veio de periferia ter acesso a faculdade, a conseguir entrar em um curso é o que eu posso fazer por elas”, declara Seiji.

O Projeto Zero Um atenderá novas turmas a partir de Agosto, mês de retorno das aulas e objetiva atender mais escolas. Para Felipe, esse trabalho vai além de ensinar, ele mostra aos alunos novas oportunidades. “A gente não quer formar programadores, queremos mostrar para essas crianças que elas têm a oportunidade de estar em uma universidade”, conclui Vieira.

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