O trabalho por trás do funcionamento das atléticas

Independentes, as associações estudantis criam meios de manter seus departamentos financeiros no azul.

Por João Pedro Rabelo

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A Humanas, atlética recém-criada na UFU, funciona sem dificuldades e a plenos pulmões. Foto: João Pedro Rabelo

As Atléticas Universitárias da UFU, instituições que reúnem alunos das mais diversas áreas acadêmicas, atraem seus adeptos com uma paixão que se assemelha àquela por um time de futebol. O que a maioria não sabe, no entanto, é o que está por trás do seu funcionamento dentro de uma universidade. O Senso Incomum conversou com presidentes e diretores financeiros de três organizações atuantes no Campus Santa Mônica para entender como elas se sustentam no meio estudantil.

A Associação Atlética Acadêmica Engenharia, agremiação conhecida por reunir a maior quantidade de cursos dentro da UFU (12), foi uma das entrevistadas. Segundo Higor Vieira, atual tesoureiro da instituição, os gastos da diretoria são divididos em três setores. No primeiro, o dinheiro é utilizado na compra de materiais esportivos, já que a cada semestre existe uma demanda para troca. Em segundo lugar, há o gasto com aluguel de quadras, devido à insuficiência de horários disponíveis no Campus Educação Física. Os gastos finais giram em torno do pagamento de técnicos e do uso de gasolina para levar os atletas aos treinos.

O presidente da AAA Engenharia, João Vitor Naresse, complementa que a compra do material esportivo é feita semestralmente e exige o gasto de, em média, R$ 4 a 5 mil; o pagamento de aluguel de  quadras para os atletas soma R$ 1.600. “Além disso, também temos despesas com uniformes, por volta de R$ 800  por jogo de uniforme completo e, nesse semestre, pela necessidade de repor alguns jogos, tivemos o custo de R$ 1.350 . Temos ainda, em tempos, despesas com manutenções na sede da atlética para o conforto dos nossos usuários”.

Naresse diz que a maior fonte de renda da Atlética Engenharia deriva da venda de produtos personalizados. “Nós não temos um sistema de associação, pois julgamos inviável. Conseguíamos tirar um bom lucro em festas, mas as últimas que fizemos resultaram em prejuízos. Hoje, o dinheiro vem majoritariamente da venda de produtos: camisetas, canecas, moletons, mochilas. Acabamos tendo um saldo positivo devido à grande quantidade de pessoas na engenharia. Exemplo disso são as filas enormes que se formam quando chegam camisetas novas”.

A AAA Monetária é outro exemplo de entidade que se organiza de forma semelhante à Engenharia, mas que traz, com os cinco cursos que a compõe, um diferencial: o apoio de patrocinadores. “Temos o apoio da Followmedia [empresa de mídia e notícias] e da Rei dos Móveis, que nos acompanham desde 2015”, expõe Caio Kavamoto, diretor de finanças da associação.

Segundo ele, a realização de festas no Centro de Convivências do Campus Santa Mônica, eram válvulas de escape para equilibrar as finanças, mas agora a situação é diferente. “Atualmente, a Monetária tem na venda de ingressos de eventos feitos ao longo do ano um de seus alicerces. Seja nas festas de maior expressão como a Economíadas Caipira e o Integra Bixo, que nos dão uma receita considerável, até os famosos Happy Hours”, explica. A entidade, assim como a Engenharia, também enxerga na venda de produtos customizados uma forma de renda que complementa e supre as despesas que são registradas.

A AAA Humanas, a mais nova das atléticas da UFU, reúne nove cursos e passa pelo processo de estruturação necessário para se estabilizar. De acordo com Luisa Marques, diretora de finanças, a maior entrada de dinheiro aconteceu no começo do ano. “Em março e abril, juntamos todo o dinheiro que as antigas atléticas possuíam, algo em torno de R$ 700 , o lucro de R$ 390  da venda de ingressos do CIA, o valor de R$ 1.200 arrecadados em nosso primeiro Happy Hour e o ganho de R$ 300  que tivemos com a venda do nosso primeiro kit”.

Ela conta ainda que, apesar do pouco tempo de existência a atlética consegue se manter. “Até o momento não passamos por dificuldades no nosso funcionamento. Sempre somos cautelosos em nossas compras e nunca gastamos mais do que possuímos. Ademais, temos um caixa-reserva, para despesas não planejadas. Nosso último Happy Hour não trouxe um bom lucro para nós. Agora nosso saldo está em aproximadamente R$ 3 mil”. O desempenho da entidade, de acordo com Luisa Marques, depende das mesmas práticas de vendas citadas pelas outras atléticas.

A manutenção e a existência de Atléticas, todavia, independe da instituição federal à qual elas são ligadas. Quando procurada, a Divisão de Esporte e Lazer Universitário da UFU (Diesu) manifestou-se dizendo ser responsável apenas pela organização de competições, horários de treinos e demais atividades recreativas, e que a atuação das atléticas não depende das funções atribuídas à ela pela UFU.

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