MUSEUS DA UFU SÃO ESPAÇOS DE ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO

A efetivação de monografias, iniciações científicas e estágio são algumas das oportunidades oferecidas.

Por Mariana Oliveira

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Alunos, principalmente da Geografia, utilizam o espaço do museu MMR para estudar. Foto: Mariana Oliveira

Atualmente, a UFU conta com cinco museus universitários vinculados à Pró-reitoria de Extensão e Cultura (Proexc). Com temáticas variadas, eles disponibilizam vagas para diversas áreas de formação, que vão de oportunidades de bolsas de graduação a estágios. O espaço está aberto ainda à realização de monografias, dissertações, teses, iniciações científicas (IC) e pesquisas em geral. Todas as coordenações reforçam que estão disponíveis para atendimento dos alunos interessados.

O Museu Biodiversidade do Cerrado (MBC), unidade especial do Instituto de Biologia (Inbio), estimula a educação ambiental e promove pesquisas na área de conservação e preservação do cerrado. Seu acervo é composto por animais empalhados, coleções de insetos, amostras de plantas nativas do bioma e material para pesquisa bibliográfica. A coordenadora do museu e professora do Inbio, Liliane Martins de Oliveira, conta que o espaço é muito utilizado pelos cursos de Ciências Biológicas e Geografia, mas gostaria de ver mais variedade. Ela acredita que alunos das Artes, História, Pedagogia e outros cursos teriam a oportunidade de aplicar conhecimentos de suas áreas lá dentro. “Os editais são abertos a diversos cursos de licenciatura, mas não há procura”.

O estudante de Ciências Biológicas e estagiário do MBC, Tiago Amaral Sales, conta que já conhecia o museu antes mesmo de entrar na universidade e sempre teve interesse em se envolver.  “São 20 horas semanais para desenvolver atividades, 15 horas só no museu, fazendo mediação, lidando com o público, com escolas… Eu aprendo muito com esse processo”. Segundo Sales, é muito rica a experiência de aprender a lidar com pessoas de todos os jeitos e ainda aprimorar conhecimentos na sua área acadêmica.

Já o museu Diversão com Ciência e Arte (Dica) é uma unidade especial vinculada ao Instituto de Física (Infis), que tem como foco difundir a cultura científica e tecnológica de forma contextualizada para os visitantes. Ao promover a extensão na universidade, por meio de exposições e outros projetos, a coordenadora do museu e professora do Infis, Sílvia Martins, acredita que o local cumpre um papel educativo. Ela também destaca o contexto multidisciplinar do Dica. “O museu é um espaço de formação constante. A gente tem um grupo diverso de pessoas trabalhando. Há estudantes da Física, Química, Biologia, Jornalismo e Arquitetura. É uma equipe grande para que a gente possa cumprir nosso papel.”

Além das bolsas de monitoria e estágio oferecidas, também há lugar para a realização de pesquisas, como é o caso da aluna da Pós-graduação em Ensino de Ciências e Matemática (PPGECM), Natália Nunes, que produz sua dissertação de acordo com as análises que realiza das exposições durante seus dois anos e meio lá dentro. Ela conta que esse ambiente sempre foi seu foco para o mestrado, uma vez que durante a graduação trabalhou no MBC. “Saí apaixonada, decidida que meu mestrado seria nessa questão de divulgação científica e espaços informais de ensino.”

“O museu é um espaço de formação constante” – Sílvia Martins, Dica

Por sua vez, o Museu Universitário de Arte (MUnA), ligado ao Instituto de Arte (Iarte), tem como objetivo promover o ensino de Artes Visuais utilizando a própria arte. Conta com um acervo permanente de obras de arte contemporânea nas linguagens desenho, escultura, fotografia, tapeçaria, cerâmica e, seu foco principal, gravuras. A coordenadora do museu e professora do Iarte, Nikoleta Kerinska, conta que “o espaço oferece para todos os alunos da UFU de uma maneira geral essas exposições, que são de qualidade nacional e internacional. É o único espaço de Uberlândia que oferece essa oportunidade.”

Ela destaca o papel fundamental do ambiente aos estudantes de Artes Visuais, uma vez que “é um espaço de formação onde conseguem ter um contato com o mundo profissional da arte”. O local também conta com uma equipe multidisciplinar. O aluno de Engenharia Química, Erlando Nelson, estagiou durante um ano no museu e relata que não foi dificuldade alguma ser de outra área. “Trabalhando com a área da arte, formei uma visão de mundo melhor, mais ampla. Consegui entender melhor diversos pontos de vista e me tornar mais humano. Tive contato com duas alunas, uma da História e outra da Artes Visuais, e, com isso, criei uma perspectiva totalmente diferente da UFU, já que antes eu só tinha contato com pessoas da Engenharia”, conta.

Alocado no Instituto de Geografia (IG), está o Museu de Minerais e Rochas (MMR). Seu acervo é composto por minerais em estado natural, diversas rochas, fósseis animais e vegetais e combustíveis fósseis (petróleo e carvão). O coordenador do MMR e professor do IG, Marcos Henrique de Oliveira Souza, conta que o museu está em fase de reestruturação e, recentemente, disponibilizou alguns editais de bolsa, o que, segundo ele, não acontecia há muitos anos. Souza relata ainda que existem planos para novas iniciativas. “Já pensamos, para o ano que vem, em novos projetos de extensão que devem começar logo após a recatalogação das amostras. Muita gente não conhece o espaço, precisamos investir também na divulgação.”

Apesar das atuais dificuldades, o MMR ainda tem muito a oferecer, o ambiente ajudou a, inclusive, formar professores que até hoje lembram das contribuições do espaço durante a passagem pela UFU. Caso de ex-aluna da universidade, Fernanda Rosa Brito, que terminou sua graduação em Geografia no ano de 2005. Atualmente , é professora da Escola Municipal Leandro José de Oliveira e conta que muito do seu trabalho lá dentro é baseado nas experiências que teve no museu. “Na época, tínhamos uma agenda de visitações bem cheia, mas por ordem de segurança, devido as antigas edificações, ele teve que ser fechado para as escolas.” Ela conta que foi um período muito difícil para o MMR, mas junto com seu orientador, o professor Adriano Rodrigues dos Santos, seguiram com a parceria com as escolas, criando um projeto, junto ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), de um museu itinerante. “Saíamos  levando toda nossa riqueza museológica em um porta malas para as escolas periféricas de Uberlândia.” Completa ainda que, toda essa experiência foi o que despertou sua paixão pela educação, “elas esculpiram minha vida pessoal e profissional”.

Por fim, há o Museu do Índio (Musíndio), único não ligado diretamente a institutos, mas somente à Proexc. É um ambiente dedicado à etnografia e preservação da memória das populações indígenas do país. Além das exposições com objetos pertencentes a tribos, o Musíndio também conta com publicações em jornais, videoteca e uma biblioteca. A técnica-administrativa Karla Viana Teixeira é coordenadora do setor educativo e ressalta que “o museu é um espaço, assim como a universidade, de ensino, pesquisa e extensão. O ensino é informal, não tem uma grade curricular, nós o fazemos na medida em que disponibilizamos cursos de formação”. A área de pesquisa é muito ligada a iniciações científicas, monografias, dissertações e teses dos alunos. Já a extensão é praticada nas visitas da comunidade externa.

A estudante de História, Nathália Muniz Silva, é bolsista do Musíndio há três meses e destaca a importância de trazer a questão indígena para nossa realidade. Ela também conta sobre sua experiência dentro do local: “Por ser um museu etnográfico, além de contar muito pro meu curso, me ensina sobre a questão indígena. Está me ajudando a ter um direcionamento sobre o que eu quero dentro da área.”

Além de ser aberto a alunos da UFU, os espaços também estão disponíveis em sua totalidade à comunidade externa. A visitação em todos os museus é gratuita e pode ser feita sem agendamento – exceto para grupos, que precisam avisar previamente. Já o acesso à biblioteca e outros serviços de pesquisa podem ser solicitados na coordenação.

MMRLocal_ 1º andar do bloco 1Q da UFU Santa MônicaHorário_ segunda a sexta das 8h às 11h e das 14h às 17hMBCLocal_ Parque Municipal Victório Siquierolli - Av. Nossa Senhora do Carm

 

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