INSTRUÍDA | Greve das federais e suas consequências dividem opiniões na UFU

Para a ADUFU, a greve foi exitosa; alunos demonstram descontentamento com organização e resultados do movimento

Por: Ana Luísa Nogueira e Isabela Silveira

A UFU passou por uma greve geral entre os dias 24 de outubro e 19 de dezembro de 2016, tendo como alguns objetivos impedir a aprovação da PEC 55, pelo Senado, e de apoiar os estudantes secundaristas nas ocupações das escolas que protestavam contra a reforma do Ensino Médio. A defesa pela paralisação e os resultados obtidos com o movimento divergiu opiniões na universidade. Para a Associação dos Docentes da Universidade Federal de Uberlândia (ADUFU), mesmo não conseguindo barrar a PEC 55, a greve foi válida e proveitosa. No entanto, alguns alunos ressaltam que a situação trouxe transtornos, incertezas, além de não alcançar os objetivos pretendidos.

O desenrolar da greve foi conturbado e contou inclusive com brigas judiciais. Segundo o Promotor de Justiça e professor da UFU, Dr. Marco Aurélio Nogueira, as discussões da greve desencadearam embates entre professores. O Conselho Superior da Universidade (CONSUN) decidiu, ainda que não pela totalidade dos votos, pela suspensão do calendário acadêmico. Mas há quem se sentiu prejudicado e pediu a revogação da medida.

Para a aluna do curso de direito, Luiza Queiroz, a greve é uma ferramenta válida para conquistar objetivos, desde que realizada de forma organizada. Apesar de se declarar a favor do movimento desde o início, a estudante afirma que a maneira como o movimento foi conduzido refletiu na desorganização do calendário de reposição, prejudicando alunos e professores. “O ensino foi prejudicado, pois os conteúdos que começavam a ser ministrados em agosto de 2016 e interrompidos pela greve acabaram caindo de certa forma no esquecimento, perdendo em qualidade” ressalta Queiroz.

O único campus da UFU que não deflagrou greve foi o de Patos de Minas, mas teve de arcar com as consequências do novo calendário junto com os outros campi. Matheus Carvalho, que estuda Biotecnologia em Patos, diz ter sido contrário ao movimento uma vez que não chamaria a atenção do governo devido ao momento conturbado em que vive o país. “A greve seria um risco e a PEC 55 seria aprovada de qualquer forma. Foi o que aconteceu.”

Raphaela Gonçalves, graduanda de Ciências Contábeis, e Mariana Santos, estudante de Engenharia Mecânica, explicaram que não foram tão prejudicadas porque alguns professores ministraram aulas enquanto o CONSUN não decidia pela suspensão do calendário acadêmico. “Nossos cursos não têm a tendência de aderir a greves e paralisações”, afirma Gonçalves.

Diferentemente, os professores que aderiram à greve acreditam que a paralisação foi proveitosa. De acordo com a presidente da ADUFU, Jorgetania Ferreira, a greve foi exitosa em suas metodologias, com início e término fortes. “Apesar de não ter atingido o objetivo principal, foi importante para preparar a sociedade acadêmica para os problemas que virão em 2017 como consequências da aprovação da PEC 55”, afirma. Ferreira expõe que a grade de reposição garante o direito de todos, grevistas ou não.

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