INCLUSIVA | Resistência X LGBTfobia na Universidade

 

Para enfrentar o preconceito, grupo de estudantes cria um Coletivo LGBT no campus da UFU em Monte Carmelo

Por: Rodrigo de Azevedo

Piadas, risos e práticas excludentes, muitas vezes comparadas ao bullying se disfarçam nos corredores da Universidade Federal de Uberlândia. Especialmente no campus de Monte Carmelo, os alunos LGBTs lutam todos os dias para sobreviver às violências causadas pelo preconceito.

Com o objetivo de acabar com a homofobia no campus, o estudante de Engenharia Florestal, Guilherme Tanaka, 19, juntou-se a quinze colegas de diversos cursos para fundar o Coletivo LGBT. A função do grupo é levar informação para às pessoas, e assim debater sobre qualquer tipo de violência. Embora tenha sido criado no início de 2016 e com um pequeno número de participantes, o Coletivo consegue proporcionar intervenções como roda de conversas para discussão do tema. Segundo Tanaka, em uma das ações foram colocados cartazes de reflexão pelas paredes e murais da Universidade, mas a gestão retirou os informativos do local.

A representante da Prefeitura Universitária, Mary Ann Garcia, afirmou que antes de ser exposto nas paredes e murais do campus, qualquer manifestação deve ser comunicada à Prefeitura para que os alunos possam receber instruções de quais materiais utilizar para evitar estragos no local. Alegou ainda que os únicos informativos retirados por funcionários do centro estavam nos banheiros e tiveram que ser removidos durante a limpeza das paredes e azulejos.

Homofobia no campus

Outra manifestação discriminatória ocorreu com a aluna do terceiro período do curso de Engenharia Florestal, Andressa Gomes, 20, que assumiu a bissexualidade “há pouco tempo”. Segundo ela, sempre foi comum escutar que a sua orientação sexual era indecisão ou uma forma de chamar atenção da sociedade. Esse tipo de discurso é reproduzido por sua família, por colegas da Universidade e até mesmo alguns gays, que, segundo Andressa, afirmam que a bissexualidade não existe.

Algumas das queixas dos alunos de Monte Carmelo é a falta de orientação sobre como e onde denunciar os frequentes casos de homofobia. Em função disso, muitas vítimas preferem se calar diante das atitudes de preconceito. Segundo o assessor administrativo do campus, Edmar de Melo, embora alguns alunos proponham a discussão desse problema, nunca houve relatos de qualquer tipo de violência. De acordo com ele, a gestão está aberta a discutir os diversos tipos de opressão, com o objetivo de garantir que a Universidade seja uma instituição capaz de respeitar todos os que nela se encontram. Para a gestão, as questões de homofobia, assim como outras formas de preconceito e violência, devem ser institucionalizadas para que assim garantam soluções efetivas.

Conscientização

A dificuldade em se respaldar legalmente contra as inúmeras formas de discriminação ultrapassa os portões do campus de Monte Carmelo. De acordo com a Secretaria Especial dos Direitos Humanos do Governo Federal, até Junho de 2016 o disque 100 recebeu 1.983 denúncias de atos homofóbicos. No Brasil, um homossexual é assassinado a cada 28 horas. Segundo o Grupo Gay da Bahia, entre Janeiro e Julho de 2016 foram 132 mortes. Ainda assim a homofobia não é considerada crime. Um projeto de lei da Deputada Federal Maria do Rosário (PT-RS), inclui a homofobia como crime de ódio, tendo o preconceito como principal motivação, porém a bancada evangélica reluta contra a aprovação argumentando que o projeto não especifica quais atos devem ser considerados crimes de homofobia.

O presidente da União Nacional de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais, Andrei Lemos, em palestra realizada em Outubro de 2016, na UFU-Santa Mônica, reforçou o papel dos movimentos sociais na luta contra a homofobia e qualquer outro tipo de preconceito. Para ele, é preciso não apenas conscientizar as pessoas a respeito dos atos de violência, mas é extremamente importante preparar e empoderar cada homossexual para que esses sejam capazes de ocupar espaços de discussões políticas e sociais, antes restritos a uma parcela classista e machista, dominantes dos grandes espaços e das posições de poder. “São os nossos companheiros de luta, são as iniciativas e os movimentos populares que podem dar uma nova resposta para essa situação de violação de direitos”, concluiu.

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