INCLUSIVA | Desafios de uma vida sobre rodas

Falta de acessibilidade no Educa compromete autonomia de cadeirantes

Por: Elaíny Carmona

Não há quem passe pelo campus Educação Física e não o reconheça pela sua simpatia. Cézar Batista Ferreira, conhecido como Cezinha, tira seu chapéu em forma de cumprimento e exibe os seus cabelos “desbotados pelo tempo”, como costuma dizer.

Cezinha é cadeirante e frequenta o campus há quase três décadas para tratamento. Ex-atleta paralímpico de natação, ainda coleciona suas medalhadas, mas deixou as competições no passado já que, segundo ele, teve de escolher entre competir e continuar treinando no campus. “O Educa é minha segunda casa”, diz.

O paciente relata que apesar de ser bem tratado pela comunidade acadêmica, seu dia a dia sobre a cadeira de rodas não é nada fácil. O campus Educação Física, mesmo atendendo uma grande quantidade de pacientes da comunidade externa, geralmente com deficiências físicas e dificuldade de locomoção, ainda não possui acessibilidade.

Alguns desses pacientes utilizam o Educa para praticar esportes, e outros são atendidos por estagiários do curso de fisioterapia, na clinica de ortopedia. “Aqui tem mais escadas do que salas de aula”, relata uma aluna que não quis se identificar.

Há escadas por todo o Campus, inclusive na entrada principal, que obriga os pacientes a usarem uma das entradas alternativas. Porém, isso não elimina os obstáculos. Sobre essa entrada, Cezinha diz já ter prendido uma das rodas da sua cadeira em uma fenda, num dia chuvoso, e só conseguiu sair de lá com a ajuda de alguém que solidarizou com a situação.
Quando questionados sobre possíveis mudanças na estrutura do local, tanto o paciente quando a aluna entrevistada, dizem que não se ouve falar em melhorias. “Eles não pensam na gente”, diz Cezar, em tom de tristeza. Enquanto isso, no portal da prefeitura de campus consta apenas duas obras realizadas no Educa nos últimos três anos, mas nenhuma relacionada às questões de acessibilidade.

Enquanto passeava pelo Educa, o ex-atleta mostrou como as rampas existentes são precárias. Durante o trajeto, ele precisou de ajuda em diversos pontos para poder subir ou descer, dificultando sua autonomia. Cezinha enfrenta seus dias com alegria, mas mostra na prática que a vida de quem precisa de cadeira de rodas não é fácil.

Sem perspectivas

O diretor da Faculdade de Educação Física e Fisioterapia (FAEFI), Guilherme de Agostini, diz que são tomadas algumas ações internas para amenizar a falta de acessibilidade no campus, como a realocação dos projetos para prédios próximos às entradas alternativas. Tal medida, segundo ele, torna a locomoção dentro do local mais tranquila.
Já o coordenador de Fisioterapia, Angelo Piva Biagini, admite a falta de acessibilidade e diz que não há sinalização de obras para melhorias.

 

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