O dia a dia do Pontal ocupado

Estudantes da FACIP lutam por pautas nacionais e locais dentro e fora do campus avançado da UFU em Ituiutaba

Por Clarice Bernardes

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Com a paralisação, em dias de chuva a UFU Pontal pode até parecer vazia. Mas nas salas ocupadas a atividade é constante. Foto: Natália Spolaor

A Faculdade de Ciências Integradas do Pontal (FACIP) da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) na cidade de Ituiutaba está ocupada como forma de protesto há duas semanas. Discentes, técnicos e docentes paralisaram suas atividades para mostrar que são contra alguns projetos como a PEC 55 (antiga PEC 241), a MP 746, o PL “Escola sem Partido”, a Portaria Normativa número 20 (que descentraliza a redução de vagas no ensino superior), a criminalização das lideranças dos movimentos sociais e
ainda lutam pela redução do valor do xerox de R$0,20 para R$0,15.

A ocupação, concentrada no bloco “B”, contava inicialmente com 40 alunos. Atualmente tem cerca de 15 estudantes que se revezam entre a ocupação, o trabalho e a família. Uma que permanece constantemente no campus é a estudante de engenharia de produção, Brunna Barcellos. Ela diz que cerca de 90% dos professores estão paralisados. Nos primeiros dias da ocupação os alunos acampados na universidade conversavam sobre o que fariam caso a polícia fosse autorizada a retirá-los do campus. Brunna lembra que eles tinham receio de como seriam tratados pelos policiais: “A gente tinha muito medo de eles virem aqui. Só que depois que o reitor deu uma declaração falando que não colocaria polícia no campus nós ficamos mais tranquilos”, relembra.

Os técnicos estão com as atividades totalmente paralisadas, mas nem todos apoiam o movimento. Alguns alunos e professores que não são favoráveis à greve continuam com os exercícios regulares dos cursos e têm enfrentado as ocupações. Já o curso de engenharia, do qual Brunna faz parte, optou por ignorar os ocupantes. “Grande parte dos alunos veem a greve como férias. Uns até apoiam a paralisação, mas não as ocupações”, declara a estudante. Como a escolha em aderir ou não à greve é individual, a prefeitura do campus afirma que não tem possibilidade de mensurar quantos professores e alunos estão frequentando as aulas.

Há também cursos, projetos e disciplinas que optaram por permanecer com atividades agora voltadas a temáticas relacionadas à greve e às ocupações. É o caso do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (PIBID). Os Pibidianos desenvolvem suas atividades regulares nas escolas públicas com mesas, conversas, discussões e filmes levando em conta as ocupações e as propostas grevistas. Assim, a ocupação no campus do Pontal tem um cronograma diferente das demais ocupações da UFU. Os alunos, professores e técnicos decidem, em reuniões às segundas-feiras, o calendário semanal que conta com oficinas, rodas de conversa, saraus e filmes.

Com a diminuição do fluxo de pessoas na universidade, devido à greve, o xerox passou a funcionar em horário reduzido. O Restaurante Universitário continua funcionando, com menor movimentação, enquanto a biblioteca está parada. O campus, que oferta graduações em administração, ciências biológicas, ciências contábeis, engenharia de produção, física, geografia, história, matemática, pedagogia, química e serviço social está majoritariamente paralisado.

Assembleia e ocupação

A decisão dos alunos do campus avançado da UFU em aderir à greve foi realizada em uma assembleia no dia 21 de Outubro de 2016 com um público de 98 pessoas, sendo que 67 votaram a favor da greve.  O objetivo inicial era ocupar o campus antes da realização do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM), mas isso não foi possível devido à resistência de alguns participantes da assembleia que apoiavam somente a greve, não a ocupação.

Os alunos da FACIP afirmam que não têm muito contato com o comando geral de greve da UFU, já que poucos professores e alunos vão à cidade de Uberlândia, distante quase duas horas. Dessa forma, o comunicação entre eles é realizada principalmente por docentes apoiadores da ocupação como as professoras Karina Kinke e Cláudia Lúcia da Costa, de pedagogia e geografia, respectivamente.

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