UFU Campus Pontal permanece ocupada

Alinhados às pautas nacionais, alunos de Ituiutaba também lutam por pautas locais 

Por: Jhyenne Gomes e  Lucas Daniel

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Foto: Lucas Daniel

Em assembleia realizada no dia 1º de novembro,  alunos da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) do campus Ituiutaba decidiram ocupar o bloco B. Dos quase 100 alunos presentes, pouco mais de 60 foram favoráveis à ocupação.

Segundo a aluna Brunna Barcellos, do curso de Engenharia de Produção, o processo de ocupação foi  complicado. “Alguns alunos já estavam decididos a ocupar. Decidiram então por chamar uma primeira assembleia, em que a maioria foi favorável. Uma segunda assembleia foi necessária para que se decidisse qual seria o dia da ocupação, na terça-feira da semana anterior ao Enem ou na segunda seguinte. O problema se deu com os  alunos que votaram contra a ocupação na primeira assembleia e  queriam  votar pelo dia da ocupação”. Segundo a aluna, o voto desses alunos contrários não teria sentido, já que não compareceriam.  Assim, após alguma tensão, a pauta que inicialmente era pela ocupação do campus todo mudou para a ocupação estratégica de um único bloco, que aconteceu no mesmo dia.

Ocupar  e resistir

O movimento começou com quase 40 alunos, mas agora, duas semanas depois, o número reduziu. Segundo eles, muitos comparecem na ocupação durante o dia ou durante os eventos e ajudam no que podem, mas os alunos que dormem na ocupação e são fixos são bem reduzidos, atualmente gira em torno de 15 pessoas.

E são essas pessoas que desde o início das ocupações vem se subdividindo em pequenas comissões designadas para a manutenção e zelo do espaço físico, e da alimentação.  Existiu uma comissão de segurança nos primeiros dias por medo de prováveis represálias, mas essa comissão foi realocada após decidirem que não havia necessidade.

O grupo alega  sofrer com a ridicularização do movimento por parte de alguns cursos, como a Engenharia  de Produção, que  é o único curso na ativa, mesmo com as várias matérias ofertadas por outros cursos paralisados.  Alegam também sofrer  com ações de professores que tentam coagir os alunos dizendo que não irão repor aulas e nem provas, mesmo a greve ter sido deflagrada por técnicos e docentes. Esses alunos podem encontrar um amparo jurídico junto aos advogados do Sindicato dos Técnicos (SINTET), que estão em sintonia com o movimento.

A princípio, os cursos estavam quase todos parados, mas depois que o Ministério Público Federal solicitou os nomes dos professores e técnicos que aderiram a greve, para possíveis medidas judiciais e que o Supremo Tribunal Federal passou a considerar o corte do ponto dos grevistas, alguns voltaram. E muitos deles voltaram  com um programação de greve. Os estágios e programas de extensão continuam ativos e integram essa nova abordagem. Segunda a aluna Michele Souza dos Santos, do curso de pedagogia, o Programa de Iniciação à Docência (PIBID) vem abordando questões como o que é uma PEC e seu funcionamento nas aulas ministradas nas escolas da cidade.

Pautas

“Esse movimento se caracteriza de uma forma e contexto diferente. Muitas pessoas falam que está acontecendo que nem em 64, mas existem outras questões. A gente sofreu com o golpe e tudo o mais, mas não é como aconteceu no passado. E eu acredito que a ocupação é uma forma de acender um pouco dos movimentos sociais”, contextualiza o estudante Jurandir Ribeiro Muniz, do curso de  História. Ele explica que o movimento estudantil do pontal está em alinhamento com as pautas nacionais, mas tem uma pauta local, como o alto preço do xérox, por exemplo.  Mesmo acreditando ser difícil conseguir a redução dos preços, os discentes encaram a  luta. Com um valor de 0,25 centavos, os alunos acreditam que esse alto preço é causado pelo aluguel do espaço, que é caro, e pela falta de concorrência, já que existe apenas uma copiadora e apenas uma cantina no campus. Quando questionados, os funcionários da xérox não quiseram comentar.

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