Entrevista | “A luta é unificada!”

PEC 241 e Reforma do Ensino Médio são pautas para estudantes que ocupam as escolas por todo Brasil

Por: Isabela Cardoso Ferreira

Desde o dia 3 de Outubro, centenas de ocupações em escolas estão ocorrendo no Brasil. No estado do Paraná, onde tudo começou, 869 instituições chegaram a ser ocupadas. Ao todo 22 estados do país mais o Distrito Federal contam com ao menos uma escola ocupada, somando, segundo a União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES), 1154 instituições de ensino médio além de dezenas de universidades e institutos federais paralisados pelos alunos.

O Triângulo Mineiro soma hoje mais de 30 escolas ocupadas contra a chamada Lei da Mordaça (ou lei da Escola sem Partido), a PEC 55 (antiga PEC 241, cujo objetivo é instituir um novo regime fiscal para o país com congelamento de gastos em saúde e educação por 20 anos) e a Reforma do Ensino médio por meio de uma Medida Provisória sem discussão com a sociedade. Só em Uberlândia mais de 25 instituições foram ocupadas nos dez dias primeiros dias do movimento que teve início na cidade no dia 18 de Outubro. Segundo informações da Superintendência Regional de Ensino mais de 23 mil alunos ficaram sem aula.

Entre as escolas ocupadas na cidade estão a EE Américo René Giannetti; E.E. Antônio Luis Bastos E.E. Bueno Brandão; E.E. da Cidade Industrial; E.E. Ederlindo Lannes Bernardes e E.E. Segismundo Pereira e outras. A escola municipal Hilda Leão Carneiro, no bairro Morumbi também foi ocupada e a Universidade Federal de Uberlândia está em greve nos três setores (alunos, professores e funcionários) e com alguns prédios também ocupados por estudantes.

Em entrevista, a aluna Juliana Siqueira, que participa da ocupação do colégio EE Américo René Giannetti respondeu a dúvidas em relação ao movimento que defende.

   REPÓRTER: Quais as principais pautas da ocupação?

ALUNA: Os estudantes estão com pautas unificadas a nível federal. O estopim para as ocupações foi a aprovação na Câmera da PEC 241, que agora é PEC 55 no Senado e a medidas provisória que muda o ensino médio. Faz 20 anos que estudantes “gritam” por reformas no ensino e não foram ouvidos. Agora, com a chegada ilegítima do novo governo, querem impor uma reforma que irá tirar o pensamento crítico dos alunos e vai torná-lo uma pessoa voltada para o mercado de trabalho. Além disso somos contra o PL da escola sem partido, a famosa lei da mordaça, que está caminhando na surdina se ajustando sem ibope algum, mas nós não esquecemos.

REPORTÉR: Como é a relação entre as escolas ocupadas? A organização é conjunta ou individual de cada instituição?

ALUNA: As pautas são as mesmas pra todos os estudantes do país, e cada escola têm sua autonomia para fazer as atividades que acha deve realizar e pra conduzir da melhor maneira sua ocupação. Porém quando há alguma decisão mais forte a se tomar, como “vamos parar de ocupar” ou “não deixar os professores entrarem mais nas escolas”, o tema é discutido em conjunto com as demais ocupações.

REPÓRTER: Como funciona e qual é o estado da segurança nas escolas durante a ocupação? E a questão de higiene e alimentação, como estão sendo mantidas essas necessidades?

ALUNA:  Para as ocupações acontecerem de uma maneira organizada, os alunos se organizaram em comissões, como de segurança, limpeza, pedagógica, comunicação e mais. Então nós da comissão de segurança fazemos revezamentos ao longo do dia e da noite. Os alunos possuem horários para entrarem e saírem da escola, no caso do René Giannetti: 23:00. Também recebemos a comunidade externa até as 21:00, mas essas pessoas não podem dormir lá, apenas estudantes da escola. Quanto à alimentação, nós preparamos o nosso alimento, apesar das “cantineiras” continuarem frequentando o René. No caso da higiene os próprios alunos limpam a escola. Com relação a como estamos nos mantendo, fazemos sim arrecadação dos produtos necessários para nós e também para as instituições das periferias. Como somos uma escola central o acesso da comunidade externa é mais fácil para realizar as doações. Por isso digo que a luta é unificada! Não lutamos apenas contra a PEC ou pelo René Giannetti. Eu luto pelo meu amigo que está no Cannã ou São Jorge, porque sei que o objetivo dele é o mesmo que o meu.

REPÓRTER: Há “aulões” voltados para o ENEM, que aconteceu no início de novembro e vai ocorrer também no começo de dezembro para os alunos que fariam provas em escolas ocupadas? Se sim, os alunos que não apoiam as ocupações assistem a esse tipo de aula ou não? E quanto aos professores que lecionam esses “aulões”, são apenas docentes estaduais, ou voluntariados de escolas particulares também podem participar?

ALUNA: Sobre os “aulões”, em grande parte são os próprios professores da escola que participam, temos muitos voluntários que se dispuseram a nos dar aula, fazendo várias oficinas. Quanto aos alunos que não apoiam as ocupações, creio que não cabe ao movimento estudantil privar os estudantes de terem aulas. Os “aulões” são para todos que se sentirem beneficiados e contemplados, sendo favorável ou não à ocupação.

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