Alunos da UFU em Monte Carmelo enfrentam dificuldades ao aderir à greve

Entre mais de 800 discentes dos cinco cursos do Campus, menos de 50 apoiam as atividades do movimento estudantil.

Por: Elaíny Carmona e Samantha Loren

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O campus Araras da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), em Monte Carmelo, MG, conta com cinco cursos: Sistema de Informação; Engenharia de Agrimensura e Cartográfica; Engenharia Florestal; Agronomia; Geologia. Os cursos somam cerca de 800 discentes e, entre esses, menos de 50 alunos se mostram interessados em participar do movimento estudantil. Segundo a aluna do curso de Engenharia Florestal Natália Cândido, não existia nenhum tipo de militância dos estudantes, antes da abertura de seu curso. “Com a situação precária do nosso campus, a gente achou que era necessário se mobilizar. Então, junto com a Geologia, começamos a puxar o movimento”, explica.

Ambos os cursos, por serem mais novos no campus, não têm estrutura própria e, de acordo com o aluno de Engenharia Florestal Guilherme Tanaka, precisam improvisar seu laboratório em uma cozinha que não possui saída de emergência e ventilação adequada, o que torna a prática perigosa. “Nada aqui (no campus) foi feito para Engenharia Florestal e para Geologia. A construção que está sendo feita no segundo bloco é para Agronomia, Sistemas e Agrimensura. O que é próprio para Engenharia Florestal vai ser construído no terceiro bloco, que ainda não começou a ser construído.

Diante disso, os alunos dos dois cursos tomaram a frente da militância do Araras e realizaram movimentos a fim de reivindicar melhores condições para a formação das turmas. Algumas ações podem ser ressaltadas, como o trancamento dos portões, duas paralisações junto aos outros campi, entre os dias 8 e 10 de junho, e a ocupação na reitoria da UFU, localizada no Campus Santa Mônica, entre os dias 2 e 7 do mesmo mês. A ocupação reivindicava cinco pautas: o asfalto no campus, água tratada, a contratação de novos professores, construção de laboratórios para os cursos e a construção de um Restaurante Universitário (RU). O movimento conseguiu que a água fosse tratada e que o RU fosse incluído no projeto das obras do segundo bloco. “Está passando da hora dos alunos se unirem e começarem a ir atrás dos seus direitos. Quando ocuparam a reitoria, eu não achei que fosse necessário, mas, com as várias melhorias que tivemos depois, percebi que, se a gente se mobilizar, conseguimos muita coisa”, comenta Andressa dos Santos, também estudante da Engenharia Florestal.

Embora existam pautas que afetem todos os alunos, nem todos se mobilizam por acreditarem que não se trata de uma forma eficiente de conseguir melhorias. O estudante de Engenharia de Agrimensura e Cartográfica Rafael Carvalho afirma que não é engajado no movimento por considerá-lo partidário. “Se fosse um movimento genuíno dos alunos eu até participaria, mas insistem em citar nomes de políticos”, relata. O aluno comenta, ainda, que se sente desmotivado a participar de qualquer movimentação no campus, porque não se sente representado. “Eles tentam empurrar a ideologia deles até você não ter outra saída, e eu me sinto incomodado com isso”, observa.  

Deliberação de greve

No dia 18 de outubro, ocorreram assembleias gerais dos técnicos-administrativos e dos docentes da UFU, seguidas de assembleia estudantil no dia 20, a fim de discutir sobre a atual conjuntura política do país e deliberar sobre possível greve. Apesar de deflagrar paralisação dos três setores, com maioria absoluta de votos favoráveis, alguns cursos não aderiram ao movimento, como foi o caso de grande parte do campus Araras.

Ao tratar sobre a movimentação da comunidade acadêmica de Monte Carmelo, com relação à greve, os alunos comentam que houve poucos participantes nas assembleias, com exceção do setor técnico-administrativo. “São mais de 60 professores, e só foram três. A gente se sente muito pouco representado, e é muito vergonhoso isso em um campus que tem tantos problemas”, afirma Tanaka. A assembleia estudantil não ocorreu por falta de quórum, pois, segundo Natália, de aproximadamente 800 alunos, 15 compareceram. “Assim, a coordenação da Florestal convocou uma assembleia do nosso curso. Compareceram mais de 50% dos alunos, e a gente entrou em greve”, complementa.

Apesar da adesão a greve ainda ser baixa, os alunos acreditam que o movimento de paralisação terá maior adesão. “Um curso tomar frente de uma greve em um campus muito fechado causa um impacto muito forte. Houve resultado, porque muita gente chegou em mim perguntando sobre a greve e perguntando o que pode fazer. Eu acredito que, daqui a duas semanas, a adesão será maior”, afirma Natália.

Situação dos demais cursos

Até a segunda-feira, 31, nenhum outro curso do campus Araras entrou em greve. Cândido relata que os cursos de Sistemas de Informação e de Engenharia de Agrimensura e Cartográfica tiveram assembleias convocadas pela coordenação, mas decidiram não paralisar. Enquanto isso, não houve nenhuma movimentação do curso de Agronomia.

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