EE Neuza Rezende adere às ocupações em Uberlândia

250 dos 400 alunos do período matutino votaram em assembleia a adesão ao movimento presente em mais de 20 escolas na cidade

Wando Moreira

Protestos contra a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que fixa limite dos gastos públicos, o Projeto Escola Sem Partido e a reforma do Ensino Médio levam mais uma escola a aderir às ocupações. Alunos secundaristas da Escola Estadual Neuza Rezende, situada na Rua Dr. Sérgio de Oliveira Marques, 771, Bairro Tocantins, tomaram o prédio na terça-feira (25) com amplo apoio. De acordo com Vinícius Bessa, responsável pela comunicação com a imprensa, a decisão de ocupar a escola foi acertada através de assembleias entre os alunos do período da manhã e do noturno. “Nós fizemos votação e abaixo-assinado na escola para saber quem era a favor da ocupação e nisso tivemos mais de 250 assinaturas só no período da manhã, sendo que nesse turno existe cerca de 400 alunos”.

Ele ressaltou também que os alunos que estão ocupando a escola, em sua maioria, têm o aval dos pais e responsáveis. Alguns até pernoitam com os secundaristas. Mas há, por outro lado, aqueles que não estão apoiando as ocupações. “Nós estamos tentando conversar com esses pais, indo na casa deles e pretendemos fazer uma reunião para explicar a eles o que é a PEC e quais são as reinvindicações”, diz Bessa.

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A ocupação na Escola Estadual Neuza Rezende já está no seu 5º dia (Foto: Wando Moreira)

Diversas atividades diferentes das aulas usuais têm acontecido nos últimos dias. Para que os secundaristas não fiquem sem ver conteúdos de matérias para fazer a prova do ENEM que ocorre no próximo fim de semana, Bessa explica que “sempre acontecem aulões de disciplinas como biologia, redação, história, dentre outras”. Para ele, aqueles que são contra a ocupação não estão preocupados muito com o ENEM. “Eles pensam mais em passar de ano e se esses aulões irão valer nota em alguma disciplina”, afirma.

Ainda de acordo com o Bessa, nenhum professor está envolvido com o que acontece. “Muitos dos que se opõem a ocupação afirmam que os professores dos aulões estão doutrinando os alunos a fazerem protestos, o que não é verdade. Os docentes em nenhum momento se pronunciaram sobre o assunto. Essa ocupação foi organizada pelos alunos, que não estão aceitando as propostas que o governo tem implementado: a reforma do Ensino Médio, a PEC dos gastos públicos e o projeto da escola Com mordaça (Escola Sem Partido)”.

Desde que ocuparam a escola, os alunos têm se dividido em realizar as tarefas que são necessárias durante a ocupação, desde a alimentação até o processo de limpeza do local. Bessa conta que essa experiência é bem interessante, pois é uma oportunidade de se colocar no lugar dos professores e dos outros funcionários da escola, como os porteiros e as cantineiras, por exemplo. “Percebemos que temos que valorizar muito o trabalho tanto dos professores como dos outros funcionários da escola. Infelizmente, muitos não têm esse respeito. Isso é um absurdo! Desde o momento em que nos prontificamos a cuidar da organização da escola nesse período de ocupação, nós nos colocamos no lugar deles, e sabemos que esses funcionários, como os professores, merecem ser respeitados pela comunidade escolar”.

Mais informações sobre as atividades dos alunos na ocupação na Escola Estadual Neuza Rezende, acesse a página no Facebook Ocupa Neuza (https://www.facebook.com/ocupaneuza/)

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