Alunos ocupam escolas em Araguari contra a PEC 241

Com mais de mil escolas ocupadas pelo país, 90 delas em Minas Gerais, Araguari já tem dois prédios ocupados pelos estudantes

Raphaela Augusta

Com a aprovação da PEC 241, que congela por 20 anos os investimentos na saúde e educação, Universidades Federais e escolas organizam greves e manifestações por todo o país. A região do Triângulo Mineiro não é exceção, respondendo por boa parte das 90 escolas ocupadas em Minas Gerais. Uberlândia, por exemplo, tem mais de 20 instituições ocupadas e em Araguari já são duas. A primeira na cidade a aderir ao movimento foi a Escola Estadual Raul Soares, ocupada no dia 23 de outubro pelos manifestantes.

Os estudantes reuniram-se com os diretores e professores em uma discussão que, segundo a representante do movimento que cedeu a entrevista mas não quis se identificar, durou cerca de três horas. Após a reunião decidiu-se entregar as chaves aos alunos e os professores entraram temporariamente em greve.

O movimento de ocupação tem uma liderança horizontal, sem um representante fixo. Outros estudantes da instituição, que também preferiram não se identificar, contam que não estão ali para matar aula ou promover baderna, como muitos pais alegam. Eles querem lutar pelos seus direitos e promover um ato político pela educação.

Já na segunda escola ocupada em Araguari, o movimento ainda é pequeno. A ocupação foi realizada no dia 24 de outubro, de forma pacífica e em conjunto com os professores e diretores da instituição. No momento da entrevista, a escola contava apenas com um dos representantes, pois estava acontecendo naquele momento manifestações no centro da cidade. O grupo, que havia realizado oficinas de cartazes e faixas, se dirigiu para a Praça Manoel Bonito, uma das principais da cidade, para engrossar a passeata.

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Alguns dos cartazes feitos pelos estudantes e professores que participaram da manifestação realizada na última quarta-feira, 25 de outubro. (Foto: Mônica Carvalho)

Ao contrário das críticas de pessoas que não estão à par da situação, o movimento dos estudantes não é um ato de vandalismo nem de baderna, e sim um ato de luta pela democracia brasileira. Os alunos não estão à toa nas escolas. Há aulões, debates, rodas de conversas e várias oficinas. Dessa forma promovendo aos jovens maior conhecimento político.

Segundo o levantamento da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes),  aproximadamente 1.022 escolas, 82 campi universitários, quatro núcleos regionais de Educação e a Câmera Municipal de Guarulhos estão ocupados nesse momento. Agora a Proposta de Emenda Constitucional que pretende congelar os gastos governo aguarda votação no Senado como PEC 55. O primeiro turno está previsto para o dia 29 de novembro e em caso de segundo turno no dia 13 de dezembro. Para que a PEC entre em vigor será necessária à aprovação de três quintos dos senadores – 49 dos 81.

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Professoras, da esquerda para direita, Ieda, Kamila e Fernanda da Escola Estadual Madre Blandina, que pretende ser a terceira escola ocupada em Araguari (MG) (Foto: Fernanda)
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Aulão na praça, com explicações a respeito da PEC, para estudantes e pessoas que passavam no local durante a manifestação. (Foto: Renata Simões)
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