Um panorama sobre a crise migratória

Por Bruno Prado

O mundo presencia no ano de 2015, uma das maiores crises migratórias de todos os tempos. Dentre os principais motivos das fugas estão às guerras, pobreza, repressão política, e em alguns casos, religiosa. Diversas pessoas têm deixado seu país de origem em busca de uma nova vida, mas nem todas as nações estão dispostas a aceitá-las.

Um dos países com maior registro de emigração é a Síria, que vive desde 2011, uma guerra civil entre tropas leais ao regime, grupos rebeldes e outras organizações extremistas. Em quatro anos, são cerca de 240 mil mortos. De acordo com a ONU, são quatro milhões de refugiados. O principal destino tem sido a Turquia. A “primavera árabe” na Líbia, o Estado Islâmico no Iraque e o Talibã no Afeganistão também fazem com que cresçam o número de refugiados.

Boa parte da travessia dessa população é feita pelo Mar Mediterrâneo, visto que a Europa é o principal destino. O problema está no fato de que o transporte é majoritariamente ilegal. Utilizam-se botes e embarcações superlotadas. Os traficantes de pessoas têm cobrado cerca de R$ 10 mil por pessoa, podendo arrecadar até um milhão de dólares por viagem. A ausência de segurança já fez muitas vítimas. Segundo a Organização Internacional para as Migrações (OIM), mais de 1.750 imigrantes morreram nos quatro primeiros meses de 2015. Um número 30 vezes maior que no mesmo período de 2014. Estima-se que o número ultrapasse os 30 mil até dezembro.

O caso é gravíssimo, mas há países que fecham os olhos para essa triste realidade. A Hungria, sob governo de János Áder, insiste em desrespeitar os direitos humanos e a dignidade dos migrantes refugiados. O exército e a polícia têm liberdade para utilizar gás lacrimogêneo e atirar em migrantes que tentem ultrapassar a fronteira, além de estarem autorizados a fazer buscas em quaisquer residências privadas onde suspeite que se encontrem refugiados. Além disso, foram instaladas barreiras de arame farpado na fronteira com a Croácia, país que também tem se mostrado resistente à causa.

Enquanto uns se recusam a ajudar, Dilma Rousseff faz muito bem em abrir as portas aos migrantes. No discurso de abertura da 70ª Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU), a presidente afirmou, “recebemos sírios, haitianos, pessoas de todo o mundo, assim como abrigamos, há mais de um século, milhões de europeus, árabes e asiáticos. Somos um país multiétnico, que convive com as diferenças e sabe a importância delas para nos tornar mais fortes, ricos e diversos”. No último domingo (27), o Santos F.C. abriu espaço para cerca de 100 refugiados sírios acompanharem a vitória do clube sobre o Internacional na Vila Belmiro, um ato de respeito e verdadeiro espírito esportivo do clube que já parou uma guerra. Golaço.

Não é justo negar abrigo a pessoas que sofrem constantemente os horrores de guerras e as tristezas da fome. É compreensível que países como Grécia e Itália, que vivem sérias crises econômicas, apresentem postura mais recuada. Com tanto preconceito, como aqueles que veem nessa população um bando de muçulmanos terroristas, esquecem que seus reais problemas não vêm de fora, mas de dentro, de sua incapacidade de formar um cidadão.

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