“Eles me ameaçavam até mesmo de morte” diz estudante que sofreu bullying na UFU

Fantasma do Bullying ainda assusta universitários em ambiente acadêmico. Aluna desistiu do curso devido sucessivas agressões.

Por Nayara Santos

Quem pensa que o bullying é um problema que está longe da Universidade, se engana.  Geralmente, a prática acontece tanto dentro do ambiente educacional, como fora, mas tem se disseminado cada vez mais dentro das universidades. O problema se tornou motivo de abandono de curso por uma aluna da Universidade Federal de Uberlândia (UFU). Psicólogo, especialista em comportamento, explica que bullying pode surgir até mesmo dos professores. Advogado afirma que alguns casos podem se caracterizar como crime.

Bullying_HImagem: Reprodução Internet

Uma estudante da UFU, que preferiu não ser identificada, alegou que o bullying enfrentado fez ela trocar de curso para fugir do problema. Segundo ela, tudo começou quando decidiu se afastar de amizades que estavam atrapalhando seu desempenho acadêmico, o que resultou em um extremo ódio da agressora que disseminou o comportamento para toda a turma.

A aluna então passou a ser exposta a uma série de torturas emocionais . “Eu cheguei a procurar ajuda da coordenação do curso, mas nenhuma atitude foi tomada, então eu fiquei com medo de tomar outras medidas e acontecer algo depois que eu saísse da universidade” disse.

A jovem ainda afirmou que quando conversava com os professores sobre o assunto, eles diziam que o motivo era inveja, e que na maior parte das vezes os docentes consentiam. “Os agressores riam quando eu apresentava os trabalhos, faziam comentários maldosos, me ameaçavam de violência física e até mesmo de morte” lembra ela.

De acordo com a estudante, faltam iniciativas por parte da Universidade para combater o problema, pois a maior parte dos educadores silencia a gravidade do assunto.“É triste pensar que isso parte de pessoas adultas, até mesmo para  minha família eu tinha medo de contar, parecia vitimismo, mas o bullying afetava até mesmo minha saúde” concluiu.

O psicólogo, especialista em comportamento, Alexi Abrahão, disse que a característica mais comum do agressor é a violência verbal, usando agressões que podem ser ligadas a características físicas ou emocionais da vítima. “O agressor geralmente é o porta-voz que agride não apenas uma vez, mas várias vezes, até influenciar o comportamento do restante do grupo. Ele agride para ter a falsa sensação de se sentir melhor que o outro”.

O especialista diz que na maioria das vezes, a vítima guarda o problema e se isola, e podem desenvolver doenças mais graves, como síndrome do pânico e até mesmo doenças psicossomáticas. Ele ainda acresentou que o bullying não é uma particularidade que acontece apenas entre os estudantes. “Existe bullying inclusive, partindo de certos professores, que por se sentirem ameaçados ou por problemas de baixa autoestima, acabam também agredindo o aluno de diversas formas, abusando da posição de autoridade”.

O advogado, especialista em Direito Constitucional, Alysson Jorge Moisés Macedo, afirma que dependendo do contexto ligado ao bullying, a conduta do agressor pode caracterizar crime e é sujeito á penalização. Embora atualmente exista um projeto de lei em andamento para tipificar o bullying como crime, não há uma legislação penal específica.

O jurista ainda explicou que já existem lei que podem aparar a vítima. “De maneira geral, há leis que protegem vítimas de crimes, sejam por meio de processos ou não. Elas podem depor, ter encaminhamentos e até obter proteção policial em alguns casos, bem como pode também levar o fato ao Ministério Público”, lembra. O profissional conclui afirmando que quando há bullying no ambiente acadêmico tanto o agressor, quanto a Universidade podem ser punidos.

 

 

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