Sobre matar os pontos corridos

Por Bruno Prado

Em 29 de março de 2003 foi dado o pontapé inicial a uma revolução no futebol brasileiro. Iniciava-se a era dos pontos corridos no campeonato brasileiro de futebol, fórmula que beneficia o time mais regular e melhor preparado para a competição.

Desde o ano de 2012 os amantes do futebol têm bradado pela volta do mata-mata, em que são disputadas partidas eliminatórias, com no máximo dois jogos por fase. E o apoio tem se estendido aos representantes de clubes, como o presidente do Grêmio, Romildo Bolzan Junior. A justificativa: a emoção. Céticos são aqueles que não reconhecem a emoção na atual competição com 38 datas e 20 clubes em disputa. Afinal, o que é isso? É ter a chance de ver seu time vencer o brasileirão mesmo com uma equipe fraca? É presenciar resultados improváveis? É ver um estádio lotado? É testemunhar garra, luta e verdadeiras batalhas em campo? Pois bem. Não é preciso matar os pontos corridos.

Dificilmente um clube desorganizado conseguirá vencer um campeonato brasileiro tão longo. É preciso preparo, planejamento, treinador de qualidade e elenco completo, que não fique restrito ao grupo titular. Quando se prima pela regularidade, cada rodada é uma decisão, todos os jogos têm o mesmo valor, 3 pontos, e daí mantêm-se vivas as surpresas, tais como o 5 a 4 entre Flamengo e Santos no ano de 2011, ou então tantas outras ocasiões em que um favorito é rebaixado ou o lanterna derrota o líder em sua casa. São exemplos de entrega, comprometimento com a vitória.

Outros dois pontos também merecem destaque. Tanto se fala no apego do torcedor pelo mata-mata, qual a explicação para a média de público dos anos 2000, 2001 e 2002, último triênio seguindo o formato, não ter ultrapassado os 13.000 torcedores, enquanto a edição 2014 ultrapassou os 16.000? O torcedor aprendeu a não comparecer apenas em finais, ou então, compreendeu que elas ocorrem com maior frequência. Além disso, com base nos valores anuais de 2014, Internacional, Grêmio, Palmeiras e Cruzeiro arrecadaram mais de 40 milhões de reais em sócio torcedores, algo inimaginável até a adoção dos pontos corridos. Afinal, quem pagaria para apoiar um projeto que poderia durar no máximo dois meses? Há uma grande diferença entre a garantia e a possibilidade de sucesso.

Aos defensores da emoção, apeguem-se à realidade e abram os olhos para os benefícios que os pontos corridos trouxeram ao futebol brasileiro. É possível se fartar de mata-mata com a maioria dos estaduais, a Copa do Brasil e continentais como a Libertadores e a Sulamericana. Se as exibições estão ruins, a culpa não está no formato, mas na qualidade técnica, no pouco preparo dos profissionais e na má gestão dos cartolas.

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