Baterias universitárias são acusadas de sexismo nas letras de seus hinos

Diretoria de Esporte e Lazer Universitário propõe uma reconstrução das composições

Por Adrivania Santos

cats

“Eu não gosto da Educa e nem de musculação. Isso é coisa pra maluco é pra viado e sapatão” o trecho parte do hino da bateira Charanga, formada por alunos de Engenharia, e foi espalhado em cartazes pelo campus Santa Mônica da Universidade Federal de Uberlândia (UFU).  No dia 19 de setembro de 2015, em uma página popular em que os alunos publicam reclamações anonimamente, foi postada uma nota de repúdio,  gerando indignação entre os internautas que acusaram a bateria de sexismo.

 A diretoria da Charanga afirmou que os cartazes não partiram de membros diretos da bateria e retiraram os cartazes de todo o campus. Porém o hino da bateria é cantado em festa universitárias, dias de ensaios e jogos da atlética engenharia. A estudante de direito Bruna Souza, que participou de uma manifestação feminista na reitoria da UFU, acredita que a conduta que algumas atléticas tem em quadra é passada como uma brincadeira para tentar esconder as ofensas. “De forma alguma inferiorizar uma pessoa em quadra por seu padrão estético ou orientação sexual é brincadeira. Dizer palavras de assédio moral e sexual não é brincadeira, é ofensa e crime também”, afirmou Bruna.

O diretor da Charanga, Victor Bazon, vê o hino como uma tradição e acha complicado reconstruir mais de 30 anos de história. Para ele a intenção é incentivar os times e aumentar a rivalidade em quadra. “A questão da reconstrução dos hinos é tratada em nossas reuniões, o problema é que sempre cai na questão da tradição, além disso nossa atlética é muito grande, não da pra impedir que todos cantem”.

O argumento da tradição é questionado por Sérgio Nunes, representante da Divisão de Esporte e Lazer Universitário (DIESU). Ele acredita que é preciso entender o que os hinos provocam e assim pensar em uma reconstrução dos hinos “As baterias precisam entender que o que era cantado em 1980 sem ofender hoje já não pode ser mais cantando”, explica Sergio.

 A Charanga não é a única que tem trechos sexistas em seus hinos, além dela existe a bateria do curso de Biologia. A representante da bateria Vanessa Rocha acredita que os estudantes aprendem esse hino e os cantam em momentos de integração sem prestar atenção no que as letras transmitem, para ela o hino só se torna um problema quando as ofensas saem da música e vão para realidade. “Fizemos uma discussão de até que ponto nosso hino é machista e percebemos que há também partes feministas”, explicou a estudante.

A discussão sobre ofensas em jogos universitários não é recente.  Em 2013 um aluno se sentiu ofendido e denunciou o caso para a Diretoria de Esporte e Lazer. O acusado foi reconhecido e avisado de que cometeu um crime e que poderia responder por isso ou até mesmo ser preso.  Ele foi aconselhado a escrever um documento se redimindo e o assunto foi encerrado.

Sérgio Nunes reconhece que as baterias têm um importante papel nos jogos universitários, mas que a DIESU não é omissa à situação do sexismo. Ele afirma que a Diretoria de Esporte e Lazer, com a ajuda da Diretoria Estudantil, está criando uma oficina de percussão para trabalhar a reconstrução dos hinos. A DIESU já se reuniu com as baterias para falar sobre o assunto e elas se comprometeram evitar ao máximo tocar os hinos que ofendam, pois eles têm consciência do problema que existente. “É preciso resolver o problema sem eliminar as baterias, o papel da universidade não é punir e sim educar”, conclui Sérgio.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Crie um website ou blog gratuito no WordPress.com.

Acima ↑

%d blogueiros gostam disto: